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Terça-feira, Junho 30, 2009
Segunda-feira, Junho 22, 2009
Domingo, Junho 21, 2009
Tamera
continua aqui
Etiquetas: subtilezas e consequências
Quarta-feira, Junho 17, 2009
Pérolas da Web
quit doing it labs (estratégias para deixar de fumar)
criar album de fotos
Bjorn Borg (publicidade)
divertimento (Faces)
Muito bom design (Jonathan Yuen)
Today and tomorrow (design)
...e muito mais aqui
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Radiohead: House of Cards
Este vídeo ganhou 1 Black Pencil da D&AD
outros prémios da edição 2009 em diferentes categorias :.aqui.:
Quarta-feira, Junho 10, 2009
O capitalismo explicado às criancinhas
Assim está o Ocidente convencido, e a educação (leia-se escola) reproduz claramente esta ideia, de que, para ser feliz e viver calmamente entre os pares será necessário possuir:
- uma casa
- um carro
- um telemóvel
- e... um ou outro "gadget".
Analisando estes dados ganhamos efectivamente o quê? Algum conforto, o que é bom, e uma ou várias hipotecas vitalícias que escravizam a liberdade de existir e pensar de qualquer ser humano, enquanto em simultâneo engordam as entidades financeiras, que são a âncora do sistema.
Como se não bastasse, somos todos os dias convencidos de que para sermos ainda mais felizes e reconhecidos pelos nosso pares (a ideia do sucesso) temos que acompanhar o ritmo alucinante da produção em massa. Assim, em pouco tempo acabamos por comprar uma casa de férias, um automóvel mais potente, um PDA com GPS e mais um ou outro "gadget" da moda.
O que acontece ao automóvel, ao telemóvel e ao "gadget" antigos? Bom, nem queremos saber, na pior das hipóteses vai directo para o lixo e na melhor vai para a reciclagem.
O que acontece a esta super-produção de coisas efectivamente inúteis? Esgotam cada vez mais os recursos da terra e são um forte contributo para a desagregação climática do planeta.
O regime capitalista, que se diz democrático, o que faz, na realidade, e como já referi, é exportar a ditadura para outros continentes sugando-lhes os recursos, enquanto vai satisfazendo necessidades que nós ocidentais fomos convencidos a pensar que sentimos, ajudando assim a preservar quase intacta a ideologia vigente com o contentamento de quase todos.
Será que já pensamos bem no que andamos a fazer a nós próprios e ao mundo em geral? Será que já nos demos conta que a alienação do Ter em desproveito do Saber e do Ser contribuem para que sejamos cada vez mais infelizes?
É necessário acabar com isto já. É necessário acabar de vez com a palhaçada do modelo educativo que temos e avançar de forma musculada para pôr término à ideologia capitalista, que não sendo uma ditadura como as do passado, nos está a consumir a alma até esvaziar completamente a nossa vida de sentido.
Terça-feira, Junho 02, 2009
A vida secreta de uma toupeira IX
Por detrás das paredes eram sempre os mesmos ruídos, os mesmos silêncios e desejos. Como não me reconhecia neste corpo em sobressalto, comecei a olhar-me, a espiar-me, a rasgar-me por dentro. Olhava-me para sair de um sufoco existencial. Quando alguém falava, ouvia-me a mim próprio e vociferava contra a vida pouco inspirada que levava. Dei-me conta de que chegara à meia vida sem nada de extraordinário para contar. Queria ser tudo, poderia até ser tudo, mas mantinha-me fiel a uma certa jovialidade que dificilmente manteria por muito mais tempo. Sentia-me afundar num marasmo, deixava-me emocionar por uma névoa. Olhei para o lado e as crianças com quem tinha vivido os primeiros anos de escola eram agora homens e mulheres autónomos e cheios de convicção. Eu não, eu no escuro de um certo tempo mantinha-me fiel ao indefinido, ao difuso e ao não saber bem como vai terminar o dia. Acreditava em tudo, aceitava tudo e até pensei que tudo seria possível. Ergui os braços para receber as farpas considerando-me um homem de valores, um homem redondo e livre. Vivia numa espécie de cápsula existencial que se por um lado aproximava gerações por outro se distanciava da essência que julgava possuir – da vontade de ser muito bom em qualquer coisa. Mas eu não, continuava perdido, refém de querer ser tudo, refém das intensidades. Pensava que poderia ser assim para sempre, mas estava enganado.
Dediquei mais que meia vida a construir… sabes… as coisas que a gente gosta – a procurar o que julgamos essencial e nunca se esgota nas palavras. A procurar toda a beleza do mundo no fundo dos olhares. Tu bem sabes que o grande fascínio do mundo está num rosto humano e por isso não parámos de olhar, sempre a olhar o fascínio intemporal de um rosto, a procurar um pensamento bom, limpo e directo.
Assim foi chegando ao princípio do mundo onde as nuvens eram habitadas por luzes fosforescentes, onde as casas estavam vazias e eu a olhar para ti. No princípio do mundo eu já tinha mais que meia vida e descobri finalmente a terra para cultivar. Descobri que na terra estava o todo que sempre procurei, descobri que as palavras tinham os seus limites bem traçados e que a grandeza estava naquilo que não se dizia. Que a grandeza era eu e tu a olhar o mundo com aquela força de corar, com aquela força terna de amar as coisas. Sabes… as coisas que a gente gosta, sem tempo, sem limites, só paixão absoluta e vontade de abraçar. Possuíamos o segredo dos seres lentos e espinhosos, dos seres difusos e íntimos como a terra, ora agreste, ora suave e aconchegante.
Texto publicado na revista "Pensares" - ESJAC
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Domingo, Maio 31, 2009
Quinta-feira, Maio 28, 2009
Porque temos medo
“Vivemos todos sob a ameaça da bomba - cancro - carcinógeneos - doença - desemprego - impotência - medo do medo - pretos - brancos - polícias - juros - imposto de rendimento - multas de estacionamento - esquecer as nossas deixas - perder dinheiro - ganhar demasiado dinheiro - perder cabelo - engordar - ficar feio - ser estúpido -não ter graça - ser tímido - ser tonto - ficar preocupado com qual aparelhagem comprar - como arranjar um carro - a bicicleta - aprender piano - medo de falhar - de não causar boa impressão - medo da força dos outros - medo da fraqueza - medo de ficar exposto - de não chegar a horas ao emprego - de não ter reforma - segurança - velhice - de morrer - guerra - aleijado num acidente de automóvel - medo de ficar cego - surdo - de não entender a piada - medo dos duros - medo de correr riscos - medo de nadar - de saltar - de mergulhar de uma prancha - medo da doença - medo de mexer - medo de vender - medo de comprar - medo obsessivo de aranhas - armários escuros - facas - assaltantes - medo de pessoas - festas - multidões - pessoas espertas - medo de dizer o que se pensa - medo das mulheres - medo dos homens - medo da polícia - medo da ansiedade - por isso esta peça é dedicada a todos medrosos.”
Peça “Kvetch”; Original, Steven Berkoff; Tradução: Luis Fonseca
Terça-feira, Maio 26, 2009
A vida secreta de uma toupeira VIII
As cerejas vermelhas estavam sobre a mesa, frescas, belas e ácidas. O meu olhar estava ainda plasmado no horizonte que tinha abarcado momentos antes sobre a imponente cerejeira. Saía cedo, refém de uma intensidade louca de subir à árvore que engrandecia o meu horizonte e me devolvia uma certa felicidade. Os Melros enlouquecidos pela generosidade da natureza esvoaçavam num frenesim estonteante fazendo voos rasantes à minha inusitada felicidade de principio de manhã de Junho. Fazia 14 anos e nesse dia estava preste a desmaiar pela primeira vez na minha vida.
A frescura da manhã rejuvenescia um cérebro jovem e algo idealista. Imaginava-me com 32 anos, a viver em todos os lugares do mundo onde existissem cerejeiras imponentes, e onde a frescura da manhã continuasse a ser um tónico revigorante para os sentidos diletantes de quem simplesmente sobe uma cerejeira imponente e se sente feliz.Acreditava já, que as coisas simples sempre seriam um lugar de encontros e igualmente de desesperos vários.
Acordei a meio da viagem, a caminho do hospital, alguém me dava palmadas na cara e dizia: - acorda, acorda... lentamente devolvido à realidade senti a dor forte que me esfacelou todo o lado esquerdo do corpo. No hospital tudo me pareceu simpático, o médico, as enfermeiras roliças, as simpatias a que estava pouco habituado.
Passei o fim do ano lectivo, no lugar alto em que vivia a curar as mazelas de um atropelamento, e a olhar os meus colegas de escola a brincar no recreio ou, a adivinhá-los nas aulas chatas e traumatizantes de um certo mau professor de português a quem certamente não devo este meu gosto pelas letras. O Gonçalves esse, continuava como sempre, a correr desalmado pelo relvado de ervas daninhas com uma bola - nós chamávamos-lhe râguebi. Atrás, lá vinham os colegas de turma esbaforidos e a tentar rasteirar o imperturbável rapazola, por quem ainda hoje, passados 25 anos nutro uma enorme simpatia e amizade.
Hoje lembrei um daqueles acontecimentos de muitos anos e que fazem parte da minha construção existencial, sendo para isso apenas necessário, que sobre a mesa estivessem umas cerejas frescas, belas e ácidas. Enfim... coisas simples.

foto: António Manuel Silva
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Sexta-feira, Maio 22, 2009
HEY KIDS LEAVE US TEACHERS ALONE
Se formos capazes de ouvir e ver este vídeo, talvez possamos compreender que neste momento nos debatemos com problemas similares, sendo que, agora, a figura castigadora e uniformizadora não é o mestre (professor), mas o próprio sistema que ao longo dos anos não se soube renovar e adaptar às regras da sociedade emergente e em que o professor passou a ser um objecto manipulado e manipulável (uma espécie de autómato) das vontades e dos caprichos inconfessáveis da sociedade e sobretudo dos poderes.
O que agora apetece dizer não é "teachers leave us kids alone", mas antes "kids leave us teachers alone", ou seja, uma espécie de grito de revolta que se consubstancie numa mudança rápida ou até mesmo forçada do estádio das coisas. Se algum dia pensarmos que, nós professores, o podemos fazer sem o comprometimento dos alunos, estaremos mais uma vez enganados e nada vai mudar mais uma vez.
Quinta-feira, Maio 21, 2009
Quarta-feira, Maio 20, 2009
Medo de quê?
Duvido que o futuro da humanidade esteja exclusivamente nas mulheres, na realidade penso que o futuro da humanidade está nos pequenos passos de cada um, na luta que todos os dias formos capazes de fazer para criar uma sociedade mais justa, mais equitativa.
Acredito no poder da arte como agente fundamental da transformação humana. Estará efectivamente a arte a cumprir esta componente da sua missão?
nem sempre - a maior parte das vezes não, tal é seu grau de promiscuidade com poder (não é de agora, sempre foi assim).
Vivemos atafulhados de embustes, de falsos problemas, de angustias irracionais. Vivemos em torno de causas esvaziadas de significado e criaram para nós a ilusão de que o dinheiro e o poder nos fazem mais felizes.
Enquanto criticamos o estado do mundo em que vivemos, enquanto nos queixamos dos nossos alunos, do seu desleixo e do "não querer saber", evitamos perguntar a nós próprios o que andamos aqui a fazer, e qual está a ser o nosso contributo para o bem comum. Todos os dias nos queixamos (nos casos mais promissores) pelo menos três ou quatro vezes por dia de uma série de coisas que estão erradas no mundo mas, seguramente, estamos menos preocupados em quantas vezes por dia damos um contributo positivo à sociedade. Atribuímos sistematicamente a culpa a um agente invisível e ainda fazemos pior quando lhe damos um rosto, mas continuamos, quando podemos, a tirar um incompreensível proveito das benesses do sistema que nos vai consumindo cada dia da nossa vida.
Somos uma sociedade hipócrita e centrada em si mesma, somos uma sociedade escravizada e auto-complacente todos os dias - uns a seguir aos outros. Somos fieis consumidores do Xanax, mas cada vez mais, numa tendência higienizadora (eu gosto de lhe chamar a sociedade dos "limpinhos") castigamos os que fumam, os que bebem, os que não fazem ginástica, os que são gordos, os que são demasiado magros, os que são altos, os que são demasiado baixos, os que têm o cabelo comprido, os que são azuis, os que são pretos e até os que são demasiado brancos. Porque raio haveríamos de ser todos iguais. Por raio temos que ser iguais à força.
Que é feito da liberdade individual? porque será, que todos (quase sem excepção) nos sentimos cada vez menos livres? Que medo é este... de ser livre? que terror anda a consumir as nossas almas atormentadas? que desejos secretos nos consomem os dias? porque vivemos tão centrados nos outros, quando o segredo talvez esteja em cada um de nós?
Que medo é este... que insegurança é esta, que terror... que desvario?
É necessário acordar, acordar rápido. É necessário mudar, é necessário afrontar, é necessário colocarmo-nos na linha insegura de sermos nós mesmos.
É necessário lutar, é necessário mudar de paradigma. É necessário criar a não-escola.
vai lá pintar
Vai lá pintar o final de ano de amarelo, de laranja e violeta. Vai imitar os pássaros e os seus voos rasantes.
Vai lá pintar o mundo com as tuas cores bonitas.
Sexta-feira, Abril 17, 2009
Quarta-feira, Abril 08, 2009
DEAD COMBO "Putos A Roubar Maçãs"
é ou não é a música mais inspiradora que se faz actualmente em Portugal
Sexta-feira, Março 13, 2009
A vida secreta de uma toupeira VII
A paz secreta de uma paisagem é um lugar estranho
Vês-te para lá dos montes para saíres de um sufoco existencial. Atendeste o telefone para te ouvires a ti próprio vociferar contra a vida inspirada que levavas. Deste-te conta de que chegaste à meia idade sendo um traquina das emoções. Querias ser tudo, poderias até ser tudo, mas mantinhas-te fiel a uma certa jovialidade que dificilmente manterias por muito mais tempo. Sentias-te afundar num marasmo, deixaste-te emocionar por uma névoa. Olhaste para o lado e as crianças com quem viveste os primeiros anos de escola eram agora homens e mulheres autónomos e cheios de convicção. Tu não, tu no escuro de um certo tempo mantinhas-te fiel ao indefinido, ao difuso e ao não saber bem como vai terminar o dia. Acreditavas em tudo, aceitavas tudo e até pensaste que tudo seria possível. Ergueste os braços quando te meteram farpas no coração. Consideravas-te um homem de valores, um homem redondo e livre. Desenvolveste uma espécie de cápsula existencial que se por um lado aproximava gerações por outro te distanciava da essência que julgavas possuir – da vontade de seres muito bom em qualquer coisa. Mas tu não, continuavas perdido, refém de querer ser tudo, refém das intensidades. Pensaste que poderia ser assim para sempre, mas estavas enganado.
Existe uma fórmula química que nos dita o tempo, existe uma fórmula humana que nos restitui a liberdade de agir e pensar uma coisa e fazer exactamente o oposto. Existe insustentabilidade nestes seres difusos, como nas crianças dos primeiros anos de escola. Estar no mundo e gostar de tudo é como olhar a paz secreta de uma paisagem e sentir que estamos num lugar estranho.
Estavas cheio de ideias fortes, de vontade de partir, mas foste ficando, foste-te adaptando aos altos e baixos de uma vida sóbria e aos entusiasmos dos dias bons. Foste cavando túneis, caminhos tão sólidos como insólitos. Querias vivenciar o mundo dos homens e até compreendê-lo aflorando à superfície com alguma frequência. Foste medindo a intensidade da luz e escolhendo cada vez mais o lusco-fusco dos dias e as ramagens mais densas. Foste-te desiludindo e incorporando os arrufos, as misérias e as loucuras da humanidade. Conheceste homens bons e outros tantos seres cavernosos, seres que como tu vieram do escuro e ao escuro sempre tendiam a voltar. Seres escravos das mais estranhas causas, dos mais obscuros pensamentos. Estavas triste num dia triste e numa luz difusa de um Outono negro. Hoje pensaste que dormir seria a melhor solução e não é que o tempo te deu razão!
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Domingo, Fevereiro 22, 2009
A vida secreta de uma toupeira VI
Entretanto numa colina sobranceira, eu olho para ti e para dentro de mim próprio sem que me reconheça, olho-me e espio-me como se de outro se tratasse, olho-me como se fosse uma casa cheia de memórias antigas e difusas.
Olho-me como se a casa estivesse desarrumada, os caixotes espalhados e talvez um lençol a cobrir um velho sofá de couro. A luz que me cega entra difusa pela janela revelando o vetusto soalho onde tu projectas a esguia silhueta de fim de tarde. As nuvens adensam-se no horizonte, a terceira de brahms toca na rádio. Eu aqui a olhar para mim como se fosse uma casa desabitada, quando lá ao fundo existe um porto de felicidade e de transformação onde alguém pensa ficar para sempre.
Estar aqui é como querer pertencer a outro tempo da forma mais desencontrada possível. Estar aqui é ser qualquer coisa de intermédio, é não existir em mim... é uma espécie de nada... é um desencontro com tudo.
Enquanto uns chegam eu penso partir num cargueiro transcontinental, chafurdar noutra terra, noutro jardim e noutro delírio, noutro Eu.
Enquanto me passavam pela cabeça estes pensamentos vadios olhava para ti a construíres a vida com as mãos e entendi, que tal como eu, também estavas próxima da terra e deste lugar sem saída.
Perguntaste o que faria lá mais para o fim da viagem e eu só pude responder, que se algum dia te enterrasse seria no meu jardim.
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Sexta-feira, Fevereiro 06, 2009
Esmaga os teus dias maus
Tom Waits - Cold Cold Ground -
Gosto de gestos bem intencionados e dos vídeos amadores do youtube. Gosto de paredes nuas e de olhares indiscretos. Gosto de portas fechadas e de ti a olhar para mim como se o resto do mundo não existisse. Gosto das intensidades e dos lugares desabitados. Gosto de paisagem e dos gestos incomuns. Gosto de ser o último a sair e do desconforto de não ser nem querer ser o mais interessante. Gosto do silêncio e das sombras, dos espelhos e dos reflexos. Gosto de esmagar os dias maus...
Where The Wild Roses Grow - Nick Cave & Kylie Minogue
Há coisas que nunca mudam... e algumas são verdadeiramente boas.
Sexta-feira, Janeiro 30, 2009
A vida secreta de uma toupeira V
Num dia já longínquo levantou os olhos quase por acaso quando ela se atravessou no seu caminho e o seu olhar acompanhou-a para sempre, com aquela fome de querer sempre.
Hoje, anos mais tarde quase nada mudou, continua a trabalhar o seu quintal de mimosas que florescem cheirosas e adocicadas todos os fevereiros e quando ela vem à janela - Manel, quando terminares a redra traz-me um ramo - ele sente que nada mudou com a mesma intensidade de sempre e como se fosse a última vez. Ele espera dela essa atitude de quem vem numa bonita manhã e olha nos olhos dele com a blusa ligeiramente desabotoada e lhe pede cor e lhe pede odor e lhe pede felicidade.
Estranhamente, hoje numa bela manhã de Fevereiro e no meio de um atordoante amarelo forte, ela não apareceu de blusa desabotoada. Deitou-se mesmo ali no centro do seu mundo colorido a olhar o céu e a rota dos aviões-pássaros, para contemplar a nuvem solitária e em acelerada metamorfose, sentindo claramente que já não existiam um no outro.
Terá sido um dia triste em que as lágrimas lhe tornavam baço o olhar forte.
Eu observei de longe o fio líquido que lhe saía dos olhos e tocava a terra solta, senti o amarelo forte que apenas podia imaginar e vi-o por fim beber de um trago um copo de lixívia que presumo apagaria para sempre o amor.
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Sexta-feira, Janeiro 23, 2009
A vida secreta de uma toupeira IV
Eu, senti a pele húmida, mas isso era perfeitamente natural.
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Sexta-feira, Janeiro 16, 2009
A vida secreta de uma toupeira III
Não fiquei contente, mas antes perplexo com o sangue quente que jorrava sobre a terra, mesmo ali sobre o lugar que escolhi para adormecer. A humidade quente e doce e o reboliço dos homens foram um espectáculo sem medida. Afastei-me um pouco para observar de longe o movimento desfocado e consertado de tão ardilosa tarefa, de tanto som, de tanta palavra incompreensível, da mestria de saber cumprir uma tarefa com extremado zelo.
O Porco estava morto e a minha felicidade inusitada tinha razão de ser.
A luz subiu no horizonte, momento mágico que não pude acompanhar até ao fim de tanto contentamento que senti sem conseguir ver.
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