25 maio 2005
Resgatado ao quotidiano II - dentro de mim
Não tiveste tempo.
Trocaste de passeio quando me viste na rua.
Olhaste para o infinito quando estavamos quase frente a frente naquela esplanada.
Valeu um sol de fim de tarde. Uma mágoa dolorosa no peito. E o gin tónico que acabei por beber de golada.
Sorri para outra mesa como se fossem velhos conhecidos.
De lá acenaram-me e dos lábios do puto pude entender as palavras ciciadas: até segunda.
Não tinha por hábito sair aos domingos. Mas hoje não sei, o sol, um odor impossível a maresia fez-me levantar da cama mais cedo que o costume.
E lá estava eu num fim de tarde domingueiro a olhar um rio lento e uma brisa fresca.
Não esperava era encontrar-te.
Mas pronto aconteceu... e depois.
Vou para casa lavar a louça de sábado à noite. Ler um livro para adormecer.
E na segunda lá estarei como se o mundo renascesse de novo.
Resgatado ao quotidiano I - fora de mim
Deixei de ser feliz nos lugares de sempre.
Não encontro tranquilidade em lugar nenhum.
Vivo no paradoxo de dois mundos distantes.
Sinto-me desconsolado, ameaçado.
Estou sem tempo.
Escrevo mensagens no telemóvel para adormecer.
Acordo como se tivesse levado uma sova.
A vida que sempre me seduziu deixou de me fascinar.
Dou beijos de braços abertos no vento e tenho em troca cagadelas de pássaro.
Não gosto de ninguém.
Estou desfocado, estou inquieto. Estou fora de mim.
Quando alguém se sente assim só pode ter razão.
Trás-os-Montes e Alto Douro

site meter
porque será que as pessoas que visitam o meu blog sempre contribuem para me lembrar o lugar onde vivo?
Não é que eu não seja feliz aqui, mas também gosto do Alentejo.
Caramba! vejam lá se vêm cá todos os dias estou a necessitar de um horizonte mais distante.
24 maio 2005
É uma espécie de
Toquei o negro, flecti o ombro, simulei a entrada no nada.
Ouvi um soluço, um tilintar de vidro partido no chão. Humedeceu-se-me a cara e desatei a correr em frente. Esperei partir-me todo contra qualquer coisa. Caí na água.
Levantei um braço,outro braço e tentei erguer o corpo todo com uma sofreguidão de naufrago. Timidamente abri um olho e depois outro. Observei em volta. Sustive a respiração. Aaaahh…
19 maio 2005

Estava atrasado para qualquer coisa. Era noite. Esqueci-me de acender a luz da entrada.
A chave caiu ao chão e eu debrucei-me para a apanhar. Por entre os dedos esfumou-se-me aquele desejo e enfoquei o olhar no negro.
Sentei-me na cadeira de baloiço e olhei um cão que ladrava. Tentei imitá-lo com a autenticidade atribuída aos homens de muita vontade.
Ele replicou sem grande expressão. E eu remeti-me ao silêncio.
17 maio 2005
H.O.L.O.G.R.A.F.I.A
15 maio 2005
10 maio 2005
o mundo do vinho

Mondovino, um documentário de Jonathan Nossiter, é um retrato bastante fiel das pessoas ligadas ao mundo do vinho. Trata-se de uma visão ampla do assunto, onde podemos ver o vinho como mercadoria e o vinho como arte. Sobretudo podemos ver tipos humanos: Se os primeiros vendem ou produzem vinho, como quem poderia produzir embalagens para palitos, os segundos integram a criação do vinho na sua própria existência, o discurso destes é aliás sintomático de quão intensa pode ser esta relação - Homem, Vida e Vinho (HVV).
O filme aborda a questão da globalização e do efeito que esta está a ter na harmonização do gosto (do vinho) a nível mundial. A questão é ponderada pelo filme, sem que no entanto seja manifestada uma posição de um ou outro lado. Muitos disseram que o realizador estava do lado da anti-globalização. Francamente não me pareceu que o filme manifestasse essa posição (o risco seria transformar-se num mau filme, ou pelo menos num filme panfletário). A não ser que o facto de o filme ter sido filmado na integra com câmara à mão e num registo bastante turbulento (exagerado por vezes), logo menos convencional, possa ser conotado com um dos lados da barricada.
Eu por mim, embora a massificação do que quer que seja, me dê um arrepio na espinha, penso também que o processo de globalização, apesar de estar por aí e sendo inevitável, não é propriamente um problema de maior - assim haja espaço para todos e assim haja espaço para o meu gosto pessoal. E para já vai havendo. Ou não?
08 maio 2005
Samuel
Samuel estava a lançar os primeiros olhares para mundo.
Samuel era frágil e ainda não descobriu o interesse de tudo isto.
O que pensa um ser quando nasce?
O que sente?
O que quer?
O que sabe?
haverá tempo, muito tempo para descobrir o segredo...
O pai já decidiu a primeira etapa:
- Quando sairmos daqui (da maternidade) vamos levá-lo a Serralves.
Confesso que me agradou bastante a opção.
03 maio 2005
porquê?
Claro que esta ideia parece simples e básica como ponto de partida, mas não nos podemos esquecer que também foram sempre as ideias simples e básicas, à partida, que por força do génio humano se transformaram nas grandes e complexas ideias que fizeram avançar a história da humanidade. Para mim que não sou um tipo das ciências talvez comece agora a compreender um pouco melhor as aulas do professor Eurico Carrapatoso (um professor que dá as aulas a perguntar) e quem sabe vir a aplicá-las às artes, quanto mais não seja para ficar de consciência tranquila e poder dizer que as grandes ideias (que na realidade é o que alimenta a alma) não me passaram ao lado.
02 maio 2005
sete palmos de terra

Sete Palmos de Terra voltou ao canal 2 para nos continuar a reconciliar com a vida, com as coisas, com tudo que gira em torno de nós.
Se na maioria das vezes as múltiplas versões do que quer que seja correspondem a um decrescimo de qualidade, neste caso temos estórias que cada vez mais nos continuam a contar o mais precioso, mais belo e intenso da vida.
Durante as próximas treze semanas se houver falta de intensidade existêncial, de uma coisa vou estar certo, nas segundas às 10:30 vou viver um momento intenso.