30 abril 2005
Júlio
29 abril 2005
jardim suspenso
28 abril 2005
interrogação semanal
cultura retro
Vemos assim mais uma vez, o património nacional, e no caso, também património da humanidade, abandonado e por consequência vítima da incúria e da falta de cidadania. Desta vez até parece que o mandante é letrado (a grande besta). Temos pois a irresponsabilidade dos organismos oficiais e a bestialidade dos cidadãos de mãos dadas.
São muitas vezes estes os ingredientes que caracterizam o nosso alegre povo.
21 abril 2005
perguntas com livros
Resposta ao talento da mediocridade
Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
Um livro de capa grossa
Já alguma vez ficaste apanhadinha(o) por um personagem de ficção?
Sim. Zaratrusta e Zenão.
Qual foi o último livro que compraste?
Foi o meu amigo talento da mediocridade que os foi buscar a um alfarrabista da rua das flores: duas edições antigas do Alves Redol – Trilogia do Port Wine I e III, respectivamente, Horizonte Cerrado e Vindima de Sangue.
Qual o último livro que leste?
Até ao fim, foi provavelmente, Vindima de Miguel Torga
Que livros estás a ler?
Bom, para não pregar uma seca a ninguém vou ficar calado
Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?
Seguramente não levava nenhum. Só acredito nos livros quando podem ser partilhaveis.
A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e porquê?
Talvez ao meu amigo português suave amarelo, já que os restantes amigos bloguistas já responderam ao questionário.
19 abril 2005
uma parte de mim

Alice Geirinhas
Uma parte de mim tem "necessidade" de acreditar nas teorias educacionais.
16 abril 2005
confesso que nunca li Agustina...
Hoje, um excelente documentário na 2, revela um ser humano amplo e irreverente, que a páginas tantas, quando alguém que não a conhecia lhe perguntou como era a sua escrita, respondeu: "escrevo mais ou menos como o Dostoyevski".
Agustina Bessa-Luís tem uma obra "monstra" no panorana nacional e mesmo internacional, ela própria diz, que se numa determinada fase da sua vida tivesse ido para França, como quase poderia ter acontecido, seria uma grande escritora de língua francesa. Esta falta de humildade está-lhe no sangue e é intrinseca à sua própria personalidade controversa e quantas vezes excessiva. Ela diz ainda, que não se leva muito a sério, considerando que essa seria uma forma de estar, que a colocaria em inferioridade perante a vida. Temos assim um ser humano em toda a sua magnitude a assumir um papel claro, transparente e... lúcido!
Do documentário salta esta frase: "Eu gosto tanto de si, que um dia até sou capaz de ler um dos seus livros".
Perfeitamente adequado para o autor deste post.
15 abril 2005
Recordações de uma amoreira ou os dias com árvores
Lembro um chão negro e um cheiro adocicado de fruta madura.
Lembro uma amoreira imponente e inalcançável, mesmo para as travessuras de um puto de 8 anos.
Lembro o desejo de a trepar para lhe descobrir o segredo e o sabor da fruta nos lugares mais altos.
Lembro o Estio abrasador e seco.
Lembro a minha tia, já velhinha, a pontear umas meias na soleira da porta, com um óculos redondinhos e a lançar-me um sorriso carinhoso quando me via a entrar pelo portão. Até parece que ainda sinto o seu colo.
Persona

Ingmar Bergman, Persona (1966) - na imagem Bibi Andersson e Liv Ullmann
Se eu quisesse escrever sobre este filme todas as palavras seriam necessessariamente redutoras.
Por isso, veja-se, reveja-se e volte-se a ver.
13 abril 2005
Interior intenso com Graça Morais e Pedro Caldeira Cabral
Aqui há uns dias interrogava-me acerca da questão interioridade/urbanidade a propósito de um post acerca da revista “Periférica”. Hoje chegou até mim e sem esforço um esboço de reflexão sobre o assunto.
Por razões profissionais e com enorme prazer, tive com alguns colegas de trabalho, um encontro com dois vultos da cultura portuguesa, respectivamente, Graça Morais e Pedro Caldeira Cabral. Tal encontro decorreu primeiro num agradabilíssimo almoço a que se seguiu um revelador encontro de Graça Morais com alunos da Escola Secundária João de Araújo Correia, no Peso da Régua. E digo revelador pois Graça Morais, igual a si mesma e à sua pintura falou aos alunos e respondeu às suas perguntas com a autenticidade que lhe é característica, na obra que eu já conhecia, e que agora se me revelou também no seu olhar e na personalidade afável e disponível que pude conhecer.
Posso dizer que conheço razoavelmente bem a obra da pintora, ao contrário da obra do músico e compositor Pedro Caldeira Cabral, reputado especialista em guitarra portuguesa e também ele com um percurso artístico notável.
Graça Morais é natural de Vieiro, uma aldeia trasmontana perto de Vila Flor e a sua obra é um excelente exemplo da relação que se pode estabelecer entre o cosmopolitismo e a ruralidade. Com uma já longa carreira e uma assinalável notoriadade, a sua obra desde sempre reflectiu esse microcosmos que é a sua aldeia natal, mas que numa visão mais alargada se pode considerar a visão de uma certa ruralidade nacional. Talvez não exista em Portugal exemplo tão feliz, profundo e intenso dessa interpretação antropológica do Portugal interior.
O traço de Graça Morais é forte, quase masculino, se é que os traços têm sexo, e terá na sua génese, a influência dos expressionismos do início de século, a multiplicação/fragmentação da realidade de um Picasso ou mesmo as transparências e realismo mágico de Francis Picabia.
Particularmente interessante foi o encontro com os adolescentes interessados em ouvir o que a artista tinha para dizer e para os quais Graça Morais se disponibilizou para responder a todas as perguntas que estes lhe colocaram. Não pude deixar de notar a humildade sábia de quem alcançou um lugar de destaque na arte portuguesa, o sorriso bonito e toda a disponibilidade do mundo, que é apanágio de quem fez uma boa construção existencial e não chegou lá por acaso.
09 abril 2005
nos dias tranquilos (para um amor sem limites)
Quando saíste eu já não estava lá, antes te organizava, no lugar que decidi atribuir às coisas belas.
Aos meus amores (fragmento de um discurso amoroso)
08 abril 2005
nos dias tranquilos
Saltaste da cadeira e correste vermelho como um touro para ela.
Com toda a força do mundo, levantaste-a junto com a cadeira e derrubaste-a sobre as mesas.
Penso que te vi possesso de um amor visceral, genuíno e adolescente.
05 abril 2005
não sei

Edward Hopper
Esta pintura sobejamente conhecida do Hopper fascina-me há alguns anos, de tal forma que tenho algum receio em confrontar-me com ela num museu. É que a pintura é sob o meu ponto de vista uma arte não reproduzível.
Tenho alguns exemplos de fascínio pela reprodução e desilusão no confronto directo com a obra. Mas também tenho exemplos do contrário. É o caso do déjeuner sur l'herbe do Manet.

Edouard Manet
Como estão aqui perante duas reproduções, este post... não sei!
02 abril 2005
se não tivesse tanta dificuldade em sair de casa, talvez fosse um grande viajante
de uma viagem
De uma viagem sempre podemos reter, um momento límpido, que não será um monumento nem uma ruina, que não será um museu nem uma cidade...
De uma viagem sempre nos fica a nostalgia de ter chegado ao fim.