Quero sair na noite para não sufocar, sair para apreender o nada que invade tudo. Sair para não pensar. Ligar o mp3, ouvir Satie, diluir-me nas ruas vazias e deter-me nos pormenores mais ínfimos. Respirar com as árvores e observar a suave queda das folhas de Novembro. Observar tudo, essencialmente observar os quadros que todos os dias me escapam. Acreditar que ainda se pode ter um olhar virginal sobre o mundo, sabendo perfeitamente que isso já não é possível. Saltar gerações. Estar disponível e olhar de frente para a realidade. Não querer acrescentar nada e pensar que se está no melhor dos mundos, sabendo perfeitamente que isso não é verdade, mas que também não é totalmente mentira.
Silêncio, noite profunda, suave noite profunda para sempre.
06 novembro 2010
22 outubro 2010
A inteligência
é ter tempo.
É ocupar espaços com a humildade suficiente para nos permitirmos que nada de extraordinário aconteça.
É estar disponível para tudo.
É ser capaz de ouvir.
É entender que a dimensão humana de cada um se revela aos bocadinhos e nem sempre é particularmente especial.
É ser capaz de não dizer nada, quando talvez houvesse tanto para dizer.
É estar presente nos lugares mais improváveis.
É sairmos do lugar de conforto.
É não ter medo nem pré-conceitos.
É sermos nós mesmos.
É ocupar espaços com a humildade suficiente para nos permitirmos que nada de extraordinário aconteça.
É estar disponível para tudo.
É ser capaz de ouvir.
É entender que a dimensão humana de cada um se revela aos bocadinhos e nem sempre é particularmente especial.
É ser capaz de não dizer nada, quando talvez houvesse tanto para dizer.
É estar presente nos lugares mais improváveis.
É sairmos do lugar de conforto.
É não ter medo nem pré-conceitos.
É sermos nós mesmos.
15 outubro 2010
Streetfighter encartado
Como seria de prever já sou um StreetFighter (gosto desta ideia: cavaleiro do asfalto) encartado.
Só me falta a mota.
(imagem manipulada - campanha promocional da Honda)
Só me falta a mota.
(imagem manipulada - campanha promocional da Honda)
Ideias que mudam o mundo
"Os sistemas educacionais estão a sofrer reformas em todo o mundo, no entanto, neste momento já não chega a evolução é necessária a revolução"
Abraham Lincoln disse em 1862: "...os dogmas de um passado calmo são inadequados a um presente tempestuoso. O nosso presente é extraordinariamente difícil e nós temos de nos elevar com o desafio.
Como o nosso caso é novo, temos de pensar numa nova maneira de agir.
Ken Robinson, que já passou neste blogue numa conferência TED de 2006, volta agora com uma abordagem ao sistema educacional contemporâneo. É de visionamento obrigatório.
http://www.ted.com/talks/sir_ken_robinson_bring_on_the_revolution.html (conferência de 2010)
http://www.ted.com/talks/ken_robinson_says_schools_kill_creativity.html (conferência de 2006)
Ambas as conferências com legendagem em português.
Abraham Lincoln disse em 1862: "...os dogmas de um passado calmo são inadequados a um presente tempestuoso. O nosso presente é extraordinariamente difícil e nós temos de nos elevar com o desafio.
Como o nosso caso é novo, temos de pensar numa nova maneira de agir.
Ken Robinson, que já passou neste blogue numa conferência TED de 2006, volta agora com uma abordagem ao sistema educacional contemporâneo. É de visionamento obrigatório.
http://www.ted.com/talks/sir_ken_robinson_bring_on_the_revolution.html (conferência de 2010)
http://www.ted.com/talks/ken_robinson_says_schools_kill_creativity.html (conferência de 2006)
Ambas as conferências com legendagem em português.
02 outubro 2010
Aqui ao lado
Chamem-lhe ingenuidade, chamem-lhe utopia, chamem-lhe fragilidade ou, "a cena sensível"...
Acredito que a "boa" Energia Humana pode mudar o mundo. Não o mundo todo, mas o mundo que gravita à nossa volta.
Acredito que a "boa" Energia Humana pode mudar o mundo. Não o mundo todo, mas o mundo que gravita à nossa volta.
01 outubro 2010
Universo. Sistema Solar. Terra. Um Ponto no Google Earth
A energia que te move é o coração, a energia que te alimenta é combustível, a energia que te transforma é espiritual.
Levas o vento, o sol, a chuva, as tempestades e tudo que é belo por ser natural, como um soluto primordial, germinal sumo amniótico. Desta matéria prima nos construímos como seres pensantes e solidários da eterna combustão universal.
Para que Deus exista não basta um pregador, nem tão pouco um explicável livro de histórias. Para que Deus exista é necessária a chama intemporal das inteligências, a partilha grande de acreditar que existe uma razão para aqui estarmos, quando talvez não exista razão nenhuma, quando talvez alimentemos a esperança de que a razão nos possa salvar, nos possa fazer esquecer o quão insignificantes e frágeis somos.
E como é bela a fragilidade humana, como é belo o sem sentido, como é belo o amor sem razão, como faz sentido partilhar o melhor de nós com o todo, com o universo ou com o gato que ronrona junto a nós.
Levas o vento, o sol, a chuva, as tempestades e tudo que é belo por ser natural, como um soluto primordial, germinal sumo amniótico. Desta matéria prima nos construímos como seres pensantes e solidários da eterna combustão universal.
Para que Deus exista não basta um pregador, nem tão pouco um explicável livro de histórias. Para que Deus exista é necessária a chama intemporal das inteligências, a partilha grande de acreditar que existe uma razão para aqui estarmos, quando talvez não exista razão nenhuma, quando talvez alimentemos a esperança de que a razão nos possa salvar, nos possa fazer esquecer o quão insignificantes e frágeis somos.
E como é bela a fragilidade humana, como é belo o sem sentido, como é belo o amor sem razão, como faz sentido partilhar o melhor de nós com o todo, com o universo ou com o gato que ronrona junto a nós.
24 setembro 2010
Ou algumas séries americanas são muito boas ou os telejornais passam o tempo a noticiar balelas perigosas – Perigo de revolta. Alerta!!!
O sistema político capitalista bateu no fundo (todos o sabemos, queiramos ou não), existe uma crise de valores, existe uma crise ideológica, existe uma crise... Hoje, o capitalismo, pouco mais é que a divinização do capital (leia-se dinheiro), que alimenta uma corja de gente mal formada, mal intencionada e hedonista (a maior parte são políticos e os que os lambem alimentando-lhes os vícios para benefício próprio, com muito respeito por aqueles, que não fazendo à partida parte da corja, não deixam de ser “ a corja” quando pactuam com determinado estado das coisas). Gente sem rugas, gente que a comunicação social, escrava deste mistério, gosta de promover. Gente do nada, liberal e aparentemente cosmopolita, que vai deixando no ar uma bafienta e retrógrada forma de olhar o mundo. Gente aparentemente normal que congemina na sua mente desestruturada e frágil um saber grotesco e uma visão tão parcial do mundo que dói pensar que ocupe cargos tão nobres quanto perigosos para o todo social que se desmorona a cada dia que passa.
E o povinho vai acreditando que o telejornal, uma espécie de novela das oito, nos traz a verdade, nos traz a escandaleira do desgoverno, da afirmação e do desmentido, das cheias, das tragédias e de outras judiarias, quando na realidade mais não faz do que perpetuar a ignorância, a lavagem cerebral que tanto interessa àqueles que descaradamente sugam até ao tutano, quais necrófagos desavindos, o que resta àqueles que estão vivos, ou talvez já não o estejam verdadeiramente.
Proponho às pessoas de bem, aos bem formados, aos reformados, aos activos, aos passivos, ao heterossexuais, às lésbicas e aos gays, aos musculados e aos gordos, aos pacíficos e aos guerreiros, aos empregados e aos desempregados, aos políticos e aos apolíticos, aos ateus e aos crentes… proponho a revolta generalizada… generalizada, antes que seja tarde.
E o povinho vai acreditando que o telejornal, uma espécie de novela das oito, nos traz a verdade, nos traz a escandaleira do desgoverno, da afirmação e do desmentido, das cheias, das tragédias e de outras judiarias, quando na realidade mais não faz do que perpetuar a ignorância, a lavagem cerebral que tanto interessa àqueles que descaradamente sugam até ao tutano, quais necrófagos desavindos, o que resta àqueles que estão vivos, ou talvez já não o estejam verdadeiramente.
Proponho às pessoas de bem, aos bem formados, aos reformados, aos activos, aos passivos, ao heterossexuais, às lésbicas e aos gays, aos musculados e aos gordos, aos pacíficos e aos guerreiros, aos empregados e aos desempregados, aos políticos e aos apolíticos, aos ateus e aos crentes… proponho a revolta generalizada… generalizada, antes que seja tarde.
08 setembro 2010
South of the Border
No Douro Film Harvest
Um filme que nos dá uma visão particularmente lúcida e interessante da revolução política, social e ideológica que nos últimos anos se está a operar na generalidade dos países da América Latina.
Documentário de Oliver Stone a não perder. Este documentário recorda-nos a cada momento do embuste em que a maior parte das vezes a comunicação social e os poderes instituídos nos embrulham.
Enquanto a Europa carece de ideologia e de ideólogos, a América Latina parece recuperar a passos largos o tempo perdido.
Viva la Revolución.
23 agosto 2010
17 agosto 2010
Nada que as imagens não revelem, nada que a luz não defina
31 julho 2010
30 julho 2010
29 julho 2010
27 julho 2010
Tudo é excesso
Olhar para a névoa que se solta da água fresca em contacto com a terra ressequida pelo intenso calor é pouco mais que uma visão do esforço do homem para lograr da terra o indefinido perfume que a natureza exala em homenagem a quem a trabalha.
Soltou-se-me este parágrafo, como uma coisa que nos passa de repente pela cabeça, como um turbilhão de ideias sintetizadas em algumas palavras.Parecem algo prosaicas, parecem excessivas, como excessivo é o dizer de Torga, como excessivas são as palavras de Steinbeck. Tudo é em excesso para quem trabalha a terra ou de alguma forma a pensa e sente.
Tudo vale quando a força indomável do homem pretende arrebanhar à terra improdutiva uma colheita única.
Tudo vale e tudo é êxtase quando a terra devolve ao homem na sua infindável generosidade, o verde pungente de uma incipiente videira rodeada de xistos abrasadores e terra seca.
Soltou-se-me este parágrafo, como uma coisa que nos passa de repente pela cabeça, como um turbilhão de ideias sintetizadas em algumas palavras.Parecem algo prosaicas, parecem excessivas, como excessivo é o dizer de Torga, como excessivas são as palavras de Steinbeck. Tudo é em excesso para quem trabalha a terra ou de alguma forma a pensa e sente.
Tudo vale quando a força indomável do homem pretende arrebanhar à terra improdutiva uma colheita única.
Tudo vale e tudo é êxtase quando a terra devolve ao homem na sua infindável generosidade, o verde pungente de uma incipiente videira rodeada de xistos abrasadores e terra seca.
18 junho 2010
Coincidências
no dia dos meus anos os astros estão em convulsão e mostram a este mundo o seu esplendor. No dia dos meus anos vai ser cremado o grande Saramago.
Os astros estão a meu favor e querem indiciar um ano bom.
Previsões instáveis de um tipo mais ou menos elucidado da intrínseca falácia de qualquer futurologia.
Os astros estão a meu favor e querem indiciar um ano bom.
Previsões instáveis de um tipo mais ou menos elucidado da intrínseca falácia de qualquer futurologia.
Saramago* essa grande couve
aos grandes muito grandes
aos que colocam ao serviço do humano o seu pensamento abrangente
aos que tornam o "pensar o mundo" a sua grande missão de vida
aos vagabundos das palavras
aos hereges da mórbida política secular da igreja católica
aos convictos
aos que acreditam
aos livres pensadores
ao José Saramago e ao seu grande amor.
*Saramago é uma planta "crucífera e rasteira, que é comestível e cresce sem cultura"
aos que colocam ao serviço do humano o seu pensamento abrangente
aos que tornam o "pensar o mundo" a sua grande missão de vida
aos vagabundos das palavras
aos hereges da mórbida política secular da igreja católica
aos convictos
aos que acreditam
aos livres pensadores
ao José Saramago e ao seu grande amor.
*Saramago é uma planta "crucífera e rasteira, que é comestível e cresce sem cultura"
04 junho 2010
Dá-me tempo
Dá-me tempo para que eu possa construir tudo, dá-me tempo para que eu possa ser aquilo que desejo. Dá-me tempo e matéria colectável, dá-me amor, dá-me paisagens cultivadas,
vinho sem bolhinhas, viosinho e Touriga Nacional.
Dá-me espaço para o prazer.
Dá-me a tua pele suave junto com as vagas subtis das partículas ínfimas em suspensão.
Olhares ternos e sorrisos.
Dá-me prazer, dá-me vida, dá-me tempo e uma balada do Tom Waits.
vinho sem bolhinhas, viosinho e Touriga Nacional.
Dá-me espaço para o prazer.
Dá-me a tua pele suave junto com as vagas subtis das partículas ínfimas em suspensão.
Olhares ternos e sorrisos.
Dá-me prazer, dá-me vida, dá-me tempo e uma balada do Tom Waits.
Poemas para o vento que passa
Gosto do épico, do profundo lado esquerdo do olhar
Da incrível fosforescência das palavras desconexas
Do sabor tangível, do vinho branco, a pão acabado de fazer.
Gosto dos algoritmos que constroem as paisagens cultivadas
da geometria sóbria do Pessoa e,
das emoções simples que atravessam os poemas de Michaux,
e das baladas sussurradas dos pássaros nocturnos.
Da incrível fosforescência das palavras desconexas
Do sabor tangível, do vinho branco, a pão acabado de fazer.
Gosto dos algoritmos que constroem as paisagens cultivadas
da geometria sóbria do Pessoa e,
das emoções simples que atravessam os poemas de Michaux,
e das baladas sussurradas dos pássaros nocturnos.
28 maio 2010
Gil Scott-Heron - "Where Did The Night Go"
Gosto mesmo disto.
Anselm Kieffer
E se eu um dia for um pintor de paisagens devastadas, de um desespero intenso e magia profunda, funda universal.
E se eu um dia for assoberbado pelo vazio íntimo de um céu estrelado. Pelo lastro, lado negro do passado.
E se um dia voltar a sentir a magia de um pincel vagabundo nas mãos...
E se um dia deixar de existir em mim um avassalador desejo de Satie.
E se um dia se me esfumar o pensamento e a razão, serei eu capaz de pintar paisagens lunares, mudas, profundas e inquietantes?
E se eu um dia for assoberbado pelo vazio íntimo de um céu estrelado. Pelo lastro, lado negro do passado.
E se um dia voltar a sentir a magia de um pincel vagabundo nas mãos...
E se um dia deixar de existir em mim um avassalador desejo de Satie.
E se um dia se me esfumar o pensamento e a razão, serei eu capaz de pintar paisagens lunares, mudas, profundas e inquietantes?
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