é ter tempo.
É ocupar espaços com a humildade suficiente para nos permitirmos que nada de extraordinário aconteça.
É estar disponível para tudo.
É ser capaz de ouvir.
É entender que a dimensão humana de cada um se revela aos bocadinhos e nem sempre é particularmente especial.
É ser capaz de não dizer nada, quando talvez houvesse tanto para dizer.
É estar presente nos lugares mais improváveis.
É sairmos do lugar de conforto.
É não ter medo nem pré-conceitos.
É sermos nós mesmos.
22 outubro 2010
15 outubro 2010
Streetfighter encartado
Como seria de prever já sou um StreetFighter (gosto desta ideia: cavaleiro do asfalto) encartado.
Só me falta a mota.
(imagem manipulada - campanha promocional da Honda)
Só me falta a mota.
(imagem manipulada - campanha promocional da Honda)
Ideias que mudam o mundo
"Os sistemas educacionais estão a sofrer reformas em todo o mundo, no entanto, neste momento já não chega a evolução é necessária a revolução"
Abraham Lincoln disse em 1862: "...os dogmas de um passado calmo são inadequados a um presente tempestuoso. O nosso presente é extraordinariamente difícil e nós temos de nos elevar com o desafio.
Como o nosso caso é novo, temos de pensar numa nova maneira de agir.
Ken Robinson, que já passou neste blogue numa conferência TED de 2006, volta agora com uma abordagem ao sistema educacional contemporâneo. É de visionamento obrigatório.
http://www.ted.com/talks/sir_ken_robinson_bring_on_the_revolution.html (conferência de 2010)
http://www.ted.com/talks/ken_robinson_says_schools_kill_creativity.html (conferência de 2006)
Ambas as conferências com legendagem em português.
Abraham Lincoln disse em 1862: "...os dogmas de um passado calmo são inadequados a um presente tempestuoso. O nosso presente é extraordinariamente difícil e nós temos de nos elevar com o desafio.
Como o nosso caso é novo, temos de pensar numa nova maneira de agir.
Ken Robinson, que já passou neste blogue numa conferência TED de 2006, volta agora com uma abordagem ao sistema educacional contemporâneo. É de visionamento obrigatório.
http://www.ted.com/talks/sir_ken_robinson_bring_on_the_revolution.html (conferência de 2010)
http://www.ted.com/talks/ken_robinson_says_schools_kill_creativity.html (conferência de 2006)
Ambas as conferências com legendagem em português.
02 outubro 2010
Aqui ao lado
Chamem-lhe ingenuidade, chamem-lhe utopia, chamem-lhe fragilidade ou, "a cena sensível"...
Acredito que a "boa" Energia Humana pode mudar o mundo. Não o mundo todo, mas o mundo que gravita à nossa volta.
Acredito que a "boa" Energia Humana pode mudar o mundo. Não o mundo todo, mas o mundo que gravita à nossa volta.
01 outubro 2010
Universo. Sistema Solar. Terra. Um Ponto no Google Earth
A energia que te move é o coração, a energia que te alimenta é combustível, a energia que te transforma é espiritual.
Levas o vento, o sol, a chuva, as tempestades e tudo que é belo por ser natural, como um soluto primordial, germinal sumo amniótico. Desta matéria prima nos construímos como seres pensantes e solidários da eterna combustão universal.
Para que Deus exista não basta um pregador, nem tão pouco um explicável livro de histórias. Para que Deus exista é necessária a chama intemporal das inteligências, a partilha grande de acreditar que existe uma razão para aqui estarmos, quando talvez não exista razão nenhuma, quando talvez alimentemos a esperança de que a razão nos possa salvar, nos possa fazer esquecer o quão insignificantes e frágeis somos.
E como é bela a fragilidade humana, como é belo o sem sentido, como é belo o amor sem razão, como faz sentido partilhar o melhor de nós com o todo, com o universo ou com o gato que ronrona junto a nós.
Levas o vento, o sol, a chuva, as tempestades e tudo que é belo por ser natural, como um soluto primordial, germinal sumo amniótico. Desta matéria prima nos construímos como seres pensantes e solidários da eterna combustão universal.
Para que Deus exista não basta um pregador, nem tão pouco um explicável livro de histórias. Para que Deus exista é necessária a chama intemporal das inteligências, a partilha grande de acreditar que existe uma razão para aqui estarmos, quando talvez não exista razão nenhuma, quando talvez alimentemos a esperança de que a razão nos possa salvar, nos possa fazer esquecer o quão insignificantes e frágeis somos.
E como é bela a fragilidade humana, como é belo o sem sentido, como é belo o amor sem razão, como faz sentido partilhar o melhor de nós com o todo, com o universo ou com o gato que ronrona junto a nós.
24 setembro 2010
Ou algumas séries americanas são muito boas ou os telejornais passam o tempo a noticiar balelas perigosas – Perigo de revolta. Alerta!!!
O sistema político capitalista bateu no fundo (todos o sabemos, queiramos ou não), existe uma crise de valores, existe uma crise ideológica, existe uma crise... Hoje, o capitalismo, pouco mais é que a divinização do capital (leia-se dinheiro), que alimenta uma corja de gente mal formada, mal intencionada e hedonista (a maior parte são políticos e os que os lambem alimentando-lhes os vícios para benefício próprio, com muito respeito por aqueles, que não fazendo à partida parte da corja, não deixam de ser “ a corja” quando pactuam com determinado estado das coisas). Gente sem rugas, gente que a comunicação social, escrava deste mistério, gosta de promover. Gente do nada, liberal e aparentemente cosmopolita, que vai deixando no ar uma bafienta e retrógrada forma de olhar o mundo. Gente aparentemente normal que congemina na sua mente desestruturada e frágil um saber grotesco e uma visão tão parcial do mundo que dói pensar que ocupe cargos tão nobres quanto perigosos para o todo social que se desmorona a cada dia que passa.
E o povinho vai acreditando que o telejornal, uma espécie de novela das oito, nos traz a verdade, nos traz a escandaleira do desgoverno, da afirmação e do desmentido, das cheias, das tragédias e de outras judiarias, quando na realidade mais não faz do que perpetuar a ignorância, a lavagem cerebral que tanto interessa àqueles que descaradamente sugam até ao tutano, quais necrófagos desavindos, o que resta àqueles que estão vivos, ou talvez já não o estejam verdadeiramente.
Proponho às pessoas de bem, aos bem formados, aos reformados, aos activos, aos passivos, ao heterossexuais, às lésbicas e aos gays, aos musculados e aos gordos, aos pacíficos e aos guerreiros, aos empregados e aos desempregados, aos políticos e aos apolíticos, aos ateus e aos crentes… proponho a revolta generalizada… generalizada, antes que seja tarde.
E o povinho vai acreditando que o telejornal, uma espécie de novela das oito, nos traz a verdade, nos traz a escandaleira do desgoverno, da afirmação e do desmentido, das cheias, das tragédias e de outras judiarias, quando na realidade mais não faz do que perpetuar a ignorância, a lavagem cerebral que tanto interessa àqueles que descaradamente sugam até ao tutano, quais necrófagos desavindos, o que resta àqueles que estão vivos, ou talvez já não o estejam verdadeiramente.
Proponho às pessoas de bem, aos bem formados, aos reformados, aos activos, aos passivos, ao heterossexuais, às lésbicas e aos gays, aos musculados e aos gordos, aos pacíficos e aos guerreiros, aos empregados e aos desempregados, aos políticos e aos apolíticos, aos ateus e aos crentes… proponho a revolta generalizada… generalizada, antes que seja tarde.
08 setembro 2010
South of the Border
No Douro Film Harvest
Um filme que nos dá uma visão particularmente lúcida e interessante da revolução política, social e ideológica que nos últimos anos se está a operar na generalidade dos países da América Latina.
Documentário de Oliver Stone a não perder. Este documentário recorda-nos a cada momento do embuste em que a maior parte das vezes a comunicação social e os poderes instituídos nos embrulham.
Enquanto a Europa carece de ideologia e de ideólogos, a América Latina parece recuperar a passos largos o tempo perdido.
Viva la Revolución.
23 agosto 2010
17 agosto 2010
Nada que as imagens não revelem, nada que a luz não defina
31 julho 2010
30 julho 2010
29 julho 2010
27 julho 2010
Tudo é excesso
Olhar para a névoa que se solta da água fresca em contacto com a terra ressequida pelo intenso calor é pouco mais que uma visão do esforço do homem para lograr da terra o indefinido perfume que a natureza exala em homenagem a quem a trabalha.
Soltou-se-me este parágrafo, como uma coisa que nos passa de repente pela cabeça, como um turbilhão de ideias sintetizadas em algumas palavras.Parecem algo prosaicas, parecem excessivas, como excessivo é o dizer de Torga, como excessivas são as palavras de Steinbeck. Tudo é em excesso para quem trabalha a terra ou de alguma forma a pensa e sente.
Tudo vale quando a força indomável do homem pretende arrebanhar à terra improdutiva uma colheita única.
Tudo vale e tudo é êxtase quando a terra devolve ao homem na sua infindável generosidade, o verde pungente de uma incipiente videira rodeada de xistos abrasadores e terra seca.
Soltou-se-me este parágrafo, como uma coisa que nos passa de repente pela cabeça, como um turbilhão de ideias sintetizadas em algumas palavras.Parecem algo prosaicas, parecem excessivas, como excessivo é o dizer de Torga, como excessivas são as palavras de Steinbeck. Tudo é em excesso para quem trabalha a terra ou de alguma forma a pensa e sente.
Tudo vale quando a força indomável do homem pretende arrebanhar à terra improdutiva uma colheita única.
Tudo vale e tudo é êxtase quando a terra devolve ao homem na sua infindável generosidade, o verde pungente de uma incipiente videira rodeada de xistos abrasadores e terra seca.
18 junho 2010
Coincidências
no dia dos meus anos os astros estão em convulsão e mostram a este mundo o seu esplendor. No dia dos meus anos vai ser cremado o grande Saramago.
Os astros estão a meu favor e querem indiciar um ano bom.
Previsões instáveis de um tipo mais ou menos elucidado da intrínseca falácia de qualquer futurologia.
Os astros estão a meu favor e querem indiciar um ano bom.
Previsões instáveis de um tipo mais ou menos elucidado da intrínseca falácia de qualquer futurologia.
Saramago* essa grande couve
aos grandes muito grandes
aos que colocam ao serviço do humano o seu pensamento abrangente
aos que tornam o "pensar o mundo" a sua grande missão de vida
aos vagabundos das palavras
aos hereges da mórbida política secular da igreja católica
aos convictos
aos que acreditam
aos livres pensadores
ao José Saramago e ao seu grande amor.
*Saramago é uma planta "crucífera e rasteira, que é comestível e cresce sem cultura"
aos que colocam ao serviço do humano o seu pensamento abrangente
aos que tornam o "pensar o mundo" a sua grande missão de vida
aos vagabundos das palavras
aos hereges da mórbida política secular da igreja católica
aos convictos
aos que acreditam
aos livres pensadores
ao José Saramago e ao seu grande amor.
*Saramago é uma planta "crucífera e rasteira, que é comestível e cresce sem cultura"
04 junho 2010
Dá-me tempo
Dá-me tempo para que eu possa construir tudo, dá-me tempo para que eu possa ser aquilo que desejo. Dá-me tempo e matéria colectável, dá-me amor, dá-me paisagens cultivadas,
vinho sem bolhinhas, viosinho e Touriga Nacional.
Dá-me espaço para o prazer.
Dá-me a tua pele suave junto com as vagas subtis das partículas ínfimas em suspensão.
Olhares ternos e sorrisos.
Dá-me prazer, dá-me vida, dá-me tempo e uma balada do Tom Waits.
vinho sem bolhinhas, viosinho e Touriga Nacional.
Dá-me espaço para o prazer.
Dá-me a tua pele suave junto com as vagas subtis das partículas ínfimas em suspensão.
Olhares ternos e sorrisos.
Dá-me prazer, dá-me vida, dá-me tempo e uma balada do Tom Waits.
Poemas para o vento que passa
Gosto do épico, do profundo lado esquerdo do olhar
Da incrível fosforescência das palavras desconexas
Do sabor tangível, do vinho branco, a pão acabado de fazer.
Gosto dos algoritmos que constroem as paisagens cultivadas
da geometria sóbria do Pessoa e,
das emoções simples que atravessam os poemas de Michaux,
e das baladas sussurradas dos pássaros nocturnos.
Da incrível fosforescência das palavras desconexas
Do sabor tangível, do vinho branco, a pão acabado de fazer.
Gosto dos algoritmos que constroem as paisagens cultivadas
da geometria sóbria do Pessoa e,
das emoções simples que atravessam os poemas de Michaux,
e das baladas sussurradas dos pássaros nocturnos.
28 maio 2010
Gil Scott-Heron - "Where Did The Night Go"
Gosto mesmo disto.
Anselm Kieffer
E se eu um dia for um pintor de paisagens devastadas, de um desespero intenso e magia profunda, funda universal.
E se eu um dia for assoberbado pelo vazio íntimo de um céu estrelado. Pelo lastro, lado negro do passado.
E se um dia voltar a sentir a magia de um pincel vagabundo nas mãos...
E se um dia deixar de existir em mim um avassalador desejo de Satie.
E se um dia se me esfumar o pensamento e a razão, serei eu capaz de pintar paisagens lunares, mudas, profundas e inquietantes?
E se eu um dia for assoberbado pelo vazio íntimo de um céu estrelado. Pelo lastro, lado negro do passado.
E se um dia voltar a sentir a magia de um pincel vagabundo nas mãos...
E se um dia deixar de existir em mim um avassalador desejo de Satie.
E se um dia se me esfumar o pensamento e a razão, serei eu capaz de pintar paisagens lunares, mudas, profundas e inquietantes?
FarmVille
As previsões para 2010 são francamente más. Sob o signo de gémeos prevêem-se armas e armadilhas bem ancoradas à metáfora do escorregar na casca da banana. Nada de bom, portanto. A PJ bate à porta, questiona sobre o que andas a fazer de ilegal. Alguém te diz que vais fazer parte de um Conselho de qualquer coisa, alguém te diz que vais ter que tomar decisões sobre as quais não sabes absolutamente nada e talvez nem queiras saber. Alguém quer que te definas, que tomes uma posição. Todos te dizem que o ser humano é coisa política e lá vais assim pesando os prós e contras… e irremediavelmente acreditar que tudo pode ser diferente.
Voltas a casa, ao silêncio do terreno saibrado, à paisagem agreste da terra endurecida pela geada. Sonhas lá do alto do monte, emocionas-te mesmo. Julgas ter um projecto de vida. Admiras longamente o novo contorno do terreno, agora desprovido de vegetação. Imaginas patamares cheios de vinha, estradas que atravessam o terreno. Vês mesmo algumas roseiras e ciprestes em bordadura a apontar um céu grequiano. Voltas aos pontos mais baixos da paisagem e tens a p… da realidade. Sentes e olhas as pessoas que te rodeiam. Vês uma lágrima mal ocultada na cara do teu pai envelhecido e só. Do teu pai sem a pujança de outrora. Sentes que para que uns vivam outros estarão a morrer e que esse é o curso natural das coisas. Sentes que é impossível viver plenamente feliz e que na melhor da hipóteses terás alguns arrebatamentos de bem-estar contigo e com o mundo.
Colhes uma troncha enrugada pela geada. Dizem-te que assim é mais suculenta e macia no prato.
Universo, sistema solar, terra, um ponto no Google Earth.
Estou aqui a olhar para as coisas do mundo. Aqui onde tudo vive, nasce e morre. Confirmas para ti mesmo os 40 anos de vida e sentes que deves cada vez mais cuidar da alma para que o corpo não estoire.
Entretanto, alguém te diz que só os loucos interessam, alguém te diz que deves praticar a tua verdade, que deves ser inconformista, que deves afrontar a realidade, que deves ser aquilo que guardas religiosamente no teu diário imaginário e aquilo que escreves num blogue, que por ser público, até parece já não fazer parte de ti. Coisa estranha, vomitar diários para a blogosfera. Enquanto uns têm medo de existir tu projectas tudo na rede, tu vomitas o que sabes e o que não sabes. Estranhas verdades para uns, indiferença de outros, encontros na paisagem de existir para alguns.
Vais para a rua caminhar, olhar a paisagem numa tarde soalheira e descobres que perdeste o olhar virginal sobre tudo, que poucas coisas te fascinam verdadeiramente e que já é uma segurança enorme poderes percorrer a mesma rua durante anos. Que homem é esse em que te transformaste.
Sentes que tens os teus limites traçados e vês pouco mais que nada. Aceitas. Jogas com o destino, jogas com as sensibilidades. Ficas confuso, ficas incerto, ficas por momentos sem chão e retomas a espuma dos dias.
Publicado na Revista Pensares (ESJAC) Maio de 2010
Voltas a casa, ao silêncio do terreno saibrado, à paisagem agreste da terra endurecida pela geada. Sonhas lá do alto do monte, emocionas-te mesmo. Julgas ter um projecto de vida. Admiras longamente o novo contorno do terreno, agora desprovido de vegetação. Imaginas patamares cheios de vinha, estradas que atravessam o terreno. Vês mesmo algumas roseiras e ciprestes em bordadura a apontar um céu grequiano. Voltas aos pontos mais baixos da paisagem e tens a p… da realidade. Sentes e olhas as pessoas que te rodeiam. Vês uma lágrima mal ocultada na cara do teu pai envelhecido e só. Do teu pai sem a pujança de outrora. Sentes que para que uns vivam outros estarão a morrer e que esse é o curso natural das coisas. Sentes que é impossível viver plenamente feliz e que na melhor da hipóteses terás alguns arrebatamentos de bem-estar contigo e com o mundo.
Colhes uma troncha enrugada pela geada. Dizem-te que assim é mais suculenta e macia no prato.
Universo, sistema solar, terra, um ponto no Google Earth.
Estou aqui a olhar para as coisas do mundo. Aqui onde tudo vive, nasce e morre. Confirmas para ti mesmo os 40 anos de vida e sentes que deves cada vez mais cuidar da alma para que o corpo não estoire.
Entretanto, alguém te diz que só os loucos interessam, alguém te diz que deves praticar a tua verdade, que deves ser inconformista, que deves afrontar a realidade, que deves ser aquilo que guardas religiosamente no teu diário imaginário e aquilo que escreves num blogue, que por ser público, até parece já não fazer parte de ti. Coisa estranha, vomitar diários para a blogosfera. Enquanto uns têm medo de existir tu projectas tudo na rede, tu vomitas o que sabes e o que não sabes. Estranhas verdades para uns, indiferença de outros, encontros na paisagem de existir para alguns.
Vais para a rua caminhar, olhar a paisagem numa tarde soalheira e descobres que perdeste o olhar virginal sobre tudo, que poucas coisas te fascinam verdadeiramente e que já é uma segurança enorme poderes percorrer a mesma rua durante anos. Que homem é esse em que te transformaste.
Sentes que tens os teus limites traçados e vês pouco mais que nada. Aceitas. Jogas com o destino, jogas com as sensibilidades. Ficas confuso, ficas incerto, ficas por momentos sem chão e retomas a espuma dos dias.
Publicado na Revista Pensares (ESJAC) Maio de 2010
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