23 agosto 2010
17 agosto 2010
Nada que as imagens não revelem, nada que a luz não defina
31 julho 2010
30 julho 2010
29 julho 2010
27 julho 2010
Tudo é excesso
Olhar para a névoa que se solta da água fresca em contacto com a terra ressequida pelo intenso calor é pouco mais que uma visão do esforço do homem para lograr da terra o indefinido perfume que a natureza exala em homenagem a quem a trabalha.
Soltou-se-me este parágrafo, como uma coisa que nos passa de repente pela cabeça, como um turbilhão de ideias sintetizadas em algumas palavras.Parecem algo prosaicas, parecem excessivas, como excessivo é o dizer de Torga, como excessivas são as palavras de Steinbeck. Tudo é em excesso para quem trabalha a terra ou de alguma forma a pensa e sente.
Tudo vale quando a força indomável do homem pretende arrebanhar à terra improdutiva uma colheita única.
Tudo vale e tudo é êxtase quando a terra devolve ao homem na sua infindável generosidade, o verde pungente de uma incipiente videira rodeada de xistos abrasadores e terra seca.
Soltou-se-me este parágrafo, como uma coisa que nos passa de repente pela cabeça, como um turbilhão de ideias sintetizadas em algumas palavras.Parecem algo prosaicas, parecem excessivas, como excessivo é o dizer de Torga, como excessivas são as palavras de Steinbeck. Tudo é em excesso para quem trabalha a terra ou de alguma forma a pensa e sente.
Tudo vale quando a força indomável do homem pretende arrebanhar à terra improdutiva uma colheita única.
Tudo vale e tudo é êxtase quando a terra devolve ao homem na sua infindável generosidade, o verde pungente de uma incipiente videira rodeada de xistos abrasadores e terra seca.
18 junho 2010
Coincidências
no dia dos meus anos os astros estão em convulsão e mostram a este mundo o seu esplendor. No dia dos meus anos vai ser cremado o grande Saramago.
Os astros estão a meu favor e querem indiciar um ano bom.
Previsões instáveis de um tipo mais ou menos elucidado da intrínseca falácia de qualquer futurologia.
Os astros estão a meu favor e querem indiciar um ano bom.
Previsões instáveis de um tipo mais ou menos elucidado da intrínseca falácia de qualquer futurologia.
Saramago* essa grande couve
aos grandes muito grandes
aos que colocam ao serviço do humano o seu pensamento abrangente
aos que tornam o "pensar o mundo" a sua grande missão de vida
aos vagabundos das palavras
aos hereges da mórbida política secular da igreja católica
aos convictos
aos que acreditam
aos livres pensadores
ao José Saramago e ao seu grande amor.
*Saramago é uma planta "crucífera e rasteira, que é comestível e cresce sem cultura"
aos que colocam ao serviço do humano o seu pensamento abrangente
aos que tornam o "pensar o mundo" a sua grande missão de vida
aos vagabundos das palavras
aos hereges da mórbida política secular da igreja católica
aos convictos
aos que acreditam
aos livres pensadores
ao José Saramago e ao seu grande amor.
*Saramago é uma planta "crucífera e rasteira, que é comestível e cresce sem cultura"
04 junho 2010
Dá-me tempo
Dá-me tempo para que eu possa construir tudo, dá-me tempo para que eu possa ser aquilo que desejo. Dá-me tempo e matéria colectável, dá-me amor, dá-me paisagens cultivadas,
vinho sem bolhinhas, viosinho e Touriga Nacional.
Dá-me espaço para o prazer.
Dá-me a tua pele suave junto com as vagas subtis das partículas ínfimas em suspensão.
Olhares ternos e sorrisos.
Dá-me prazer, dá-me vida, dá-me tempo e uma balada do Tom Waits.
vinho sem bolhinhas, viosinho e Touriga Nacional.
Dá-me espaço para o prazer.
Dá-me a tua pele suave junto com as vagas subtis das partículas ínfimas em suspensão.
Olhares ternos e sorrisos.
Dá-me prazer, dá-me vida, dá-me tempo e uma balada do Tom Waits.
Poemas para o vento que passa
Gosto do épico, do profundo lado esquerdo do olhar
Da incrível fosforescência das palavras desconexas
Do sabor tangível, do vinho branco, a pão acabado de fazer.
Gosto dos algoritmos que constroem as paisagens cultivadas
da geometria sóbria do Pessoa e,
das emoções simples que atravessam os poemas de Michaux,
e das baladas sussurradas dos pássaros nocturnos.
Da incrível fosforescência das palavras desconexas
Do sabor tangível, do vinho branco, a pão acabado de fazer.
Gosto dos algoritmos que constroem as paisagens cultivadas
da geometria sóbria do Pessoa e,
das emoções simples que atravessam os poemas de Michaux,
e das baladas sussurradas dos pássaros nocturnos.
28 maio 2010
Gil Scott-Heron - "Where Did The Night Go"
Gosto mesmo disto.
Anselm Kieffer
E se eu um dia for um pintor de paisagens devastadas, de um desespero intenso e magia profunda, funda universal.
E se eu um dia for assoberbado pelo vazio íntimo de um céu estrelado. Pelo lastro, lado negro do passado.
E se um dia voltar a sentir a magia de um pincel vagabundo nas mãos...
E se um dia deixar de existir em mim um avassalador desejo de Satie.
E se um dia se me esfumar o pensamento e a razão, serei eu capaz de pintar paisagens lunares, mudas, profundas e inquietantes?
E se eu um dia for assoberbado pelo vazio íntimo de um céu estrelado. Pelo lastro, lado negro do passado.
E se um dia voltar a sentir a magia de um pincel vagabundo nas mãos...
E se um dia deixar de existir em mim um avassalador desejo de Satie.
E se um dia se me esfumar o pensamento e a razão, serei eu capaz de pintar paisagens lunares, mudas, profundas e inquietantes?
FarmVille
As previsões para 2010 são francamente más. Sob o signo de gémeos prevêem-se armas e armadilhas bem ancoradas à metáfora do escorregar na casca da banana. Nada de bom, portanto. A PJ bate à porta, questiona sobre o que andas a fazer de ilegal. Alguém te diz que vais fazer parte de um Conselho de qualquer coisa, alguém te diz que vais ter que tomar decisões sobre as quais não sabes absolutamente nada e talvez nem queiras saber. Alguém quer que te definas, que tomes uma posição. Todos te dizem que o ser humano é coisa política e lá vais assim pesando os prós e contras… e irremediavelmente acreditar que tudo pode ser diferente.
Voltas a casa, ao silêncio do terreno saibrado, à paisagem agreste da terra endurecida pela geada. Sonhas lá do alto do monte, emocionas-te mesmo. Julgas ter um projecto de vida. Admiras longamente o novo contorno do terreno, agora desprovido de vegetação. Imaginas patamares cheios de vinha, estradas que atravessam o terreno. Vês mesmo algumas roseiras e ciprestes em bordadura a apontar um céu grequiano. Voltas aos pontos mais baixos da paisagem e tens a p… da realidade. Sentes e olhas as pessoas que te rodeiam. Vês uma lágrima mal ocultada na cara do teu pai envelhecido e só. Do teu pai sem a pujança de outrora. Sentes que para que uns vivam outros estarão a morrer e que esse é o curso natural das coisas. Sentes que é impossível viver plenamente feliz e que na melhor da hipóteses terás alguns arrebatamentos de bem-estar contigo e com o mundo.
Colhes uma troncha enrugada pela geada. Dizem-te que assim é mais suculenta e macia no prato.
Universo, sistema solar, terra, um ponto no Google Earth.
Estou aqui a olhar para as coisas do mundo. Aqui onde tudo vive, nasce e morre. Confirmas para ti mesmo os 40 anos de vida e sentes que deves cada vez mais cuidar da alma para que o corpo não estoire.
Entretanto, alguém te diz que só os loucos interessam, alguém te diz que deves praticar a tua verdade, que deves ser inconformista, que deves afrontar a realidade, que deves ser aquilo que guardas religiosamente no teu diário imaginário e aquilo que escreves num blogue, que por ser público, até parece já não fazer parte de ti. Coisa estranha, vomitar diários para a blogosfera. Enquanto uns têm medo de existir tu projectas tudo na rede, tu vomitas o que sabes e o que não sabes. Estranhas verdades para uns, indiferença de outros, encontros na paisagem de existir para alguns.
Vais para a rua caminhar, olhar a paisagem numa tarde soalheira e descobres que perdeste o olhar virginal sobre tudo, que poucas coisas te fascinam verdadeiramente e que já é uma segurança enorme poderes percorrer a mesma rua durante anos. Que homem é esse em que te transformaste.
Sentes que tens os teus limites traçados e vês pouco mais que nada. Aceitas. Jogas com o destino, jogas com as sensibilidades. Ficas confuso, ficas incerto, ficas por momentos sem chão e retomas a espuma dos dias.
Publicado na Revista Pensares (ESJAC) Maio de 2010
Voltas a casa, ao silêncio do terreno saibrado, à paisagem agreste da terra endurecida pela geada. Sonhas lá do alto do monte, emocionas-te mesmo. Julgas ter um projecto de vida. Admiras longamente o novo contorno do terreno, agora desprovido de vegetação. Imaginas patamares cheios de vinha, estradas que atravessam o terreno. Vês mesmo algumas roseiras e ciprestes em bordadura a apontar um céu grequiano. Voltas aos pontos mais baixos da paisagem e tens a p… da realidade. Sentes e olhas as pessoas que te rodeiam. Vês uma lágrima mal ocultada na cara do teu pai envelhecido e só. Do teu pai sem a pujança de outrora. Sentes que para que uns vivam outros estarão a morrer e que esse é o curso natural das coisas. Sentes que é impossível viver plenamente feliz e que na melhor da hipóteses terás alguns arrebatamentos de bem-estar contigo e com o mundo.
Colhes uma troncha enrugada pela geada. Dizem-te que assim é mais suculenta e macia no prato.
Universo, sistema solar, terra, um ponto no Google Earth.
Estou aqui a olhar para as coisas do mundo. Aqui onde tudo vive, nasce e morre. Confirmas para ti mesmo os 40 anos de vida e sentes que deves cada vez mais cuidar da alma para que o corpo não estoire.
Entretanto, alguém te diz que só os loucos interessam, alguém te diz que deves praticar a tua verdade, que deves ser inconformista, que deves afrontar a realidade, que deves ser aquilo que guardas religiosamente no teu diário imaginário e aquilo que escreves num blogue, que por ser público, até parece já não fazer parte de ti. Coisa estranha, vomitar diários para a blogosfera. Enquanto uns têm medo de existir tu projectas tudo na rede, tu vomitas o que sabes e o que não sabes. Estranhas verdades para uns, indiferença de outros, encontros na paisagem de existir para alguns.
Vais para a rua caminhar, olhar a paisagem numa tarde soalheira e descobres que perdeste o olhar virginal sobre tudo, que poucas coisas te fascinam verdadeiramente e que já é uma segurança enorme poderes percorrer a mesma rua durante anos. Que homem é esse em que te transformaste.
Sentes que tens os teus limites traçados e vês pouco mais que nada. Aceitas. Jogas com o destino, jogas com as sensibilidades. Ficas confuso, ficas incerto, ficas por momentos sem chão e retomas a espuma dos dias.
Publicado na Revista Pensares (ESJAC) Maio de 2010
14 maio 2010
Sem título
Os homens que transportavam o fogo nas mãos afastaram-se para outros devaneios.
Os homens que tinham magia no olhar são agora escravos.
Os homens de Deus são agora arreigados políticos convincentes.
Três ou quatro bandidos de outrora, são agora velhos e crentes… homens de fé.
Rebeldes com causa, são agora boys de outras causas.
Pedófilos compulsivos, são agora pais de família e recusam socialmente o aborto.
Gajos como eu, que nunca foram lá grande coisa, escrevem poemas épicos, coisas do fundo e do nada.
Este poema exorta,
Exorta a violência, exorta o nada, exorta o vazio e os cães danados, os gatos astutos e o sem sentido.
Exorta Deus e o Diabo e os que o carregam.
Recuso a formação humanista. Recuso o Mishima e todos os livros que tenho na estante.
Os homens que tinham magia no olhar são agora escravos.
Os homens de Deus são agora arreigados políticos convincentes.
Três ou quatro bandidos de outrora, são agora velhos e crentes… homens de fé.
Rebeldes com causa, são agora boys de outras causas.
Pedófilos compulsivos, são agora pais de família e recusam socialmente o aborto.
Gajos como eu, que nunca foram lá grande coisa, escrevem poemas épicos, coisas do fundo e do nada.
Este poema exorta,
Exorta a violência, exorta o nada, exorta o vazio e os cães danados, os gatos astutos e o sem sentido.
Exorta Deus e o Diabo e os que o carregam.
Recuso a formação humanista. Recuso o Mishima e todos os livros que tenho na estante.
12 maio 2010
02 maio 2010
1º de Maio. EU e TU.
“Os anos foram a nosso favor, não contra nós”
Henri Michaux, in “Nós dois ainda”
Nesta noite, como noutras noites em que vomito coisas para a rede (WWW) e em que tenho 100.000 coisas para fazer, vou simplesmente reflectir, olhar para mim e olhar para ti passados exactamente 20 anos. Vou beber três ou quatro copos de vinho, vinho bom, vinho combustível intemporal dos amantes.
Olho muitas vezes para ti, aliás, penso que passei grande parte da minha vida (pelo menos 20 anos) a olhar para ti, linda e abrangente. Foi-se algum calor, é verdade, a intensidade do sexo e de alguns mundos em descoberta comum, mas ficou a súmula de tudo, ficou este amor profundo. Esta coisa grande que é ter uma pessoa próxima, muito próxima, tangível. Como se viver fosse o Eu ampliado a Tu. Como se o EU não fosse EU, mas EU e TU.
Deste desdobramento físico, sensorial e tudo, se fez uma relação forte, uma relação de sempre para sempre. Como se o antes nunca tivesse existido, como se tu fosses intrínseca, como se fosses EU. Olho-te repetidamente embora até possas não o notar, e sei que isso é recíproco. Olho-te com a força de querer tudo, de saber que estás aí com a tua generosidade natural, com a tua inteligência, com a tua liberdade e autonomia. Com os teus desejos grandes, com as tuas idiossincrasias.
Escrevo muito sobre mim e sobre aqueles que me rodeiam e são significativos. Quase sempre me esqueço de ti como se de mim mesmo me esquecesse. Mas, como sabes, dificilmente publico algo sem que passe pelo teu filtro. Como se não fosse capaz de me expor verdadeiramente, como se o EU fosse carente do TU.
Sei claramente que há palavras não contempladas no nosso léxico vivencial, sei que este exercício reflexivo é completamente desnecessário, que todas estas palavras são algo inócuas. Sei que é impossível dizer tudo, sei que posso desistir a qualquer momento deste exercício de colocar em palavras o nosso amor.
Mas vou continuar…
Existem momentos e existem dias em que não distingo, em que não sei verdadeiramente quem sou, não sei efectivamente colocar-me em perspectiva, não sei para onde vou. Questiono opções, questiono tudo, e como se de algo natural se tratasse sempre sei que estarás aí… sempre do meu lado, sempre como prolongamento do tudo. Sempre com a energia grande, sempre TU e EU.
Lemos os mesmos livros, somos reféns das mesmas intensidades, gostamos das mesmas pessoas, podemos compreender o mundo todo com num simples trocar de olhares. Somos tolerantes, somos abrangentes, somos autênticos, partilhamos valores intemporais.
Claro que somos diferentes em muitas coisas, mesmo muito diferentes… a começar com a minha tendência para a ordem em directo conflito com a tua desorganização. Mas mesmo aqui a nossa diferença é apenas um pormenor. Um pormenor que nos aproxima mais do que nos afasta. Respeitamos deliberadamente o espaço do outro, embora eu seja por natureza mais invasivo.
Da nossa longa vida em comum fica este resultado grande de respeito intrínseco pela vontade do outro, desta energia única de levar a vida para frente, desta partilha grande que é dar importância ao que verdadeiramente é importante e nos projecta para a inteligência e a abrangência que esta possibilita.
O nosso corpo caminha junto, em uníssono com as nossas sombras variáveis, mutáveis, errantes e volúveis, como tudo que verdadeiramente importa.
Henri Michaux, in “Nós dois ainda”
Nesta noite, como noutras noites em que vomito coisas para a rede (WWW) e em que tenho 100.000 coisas para fazer, vou simplesmente reflectir, olhar para mim e olhar para ti passados exactamente 20 anos. Vou beber três ou quatro copos de vinho, vinho bom, vinho combustível intemporal dos amantes.
Olho muitas vezes para ti, aliás, penso que passei grande parte da minha vida (pelo menos 20 anos) a olhar para ti, linda e abrangente. Foi-se algum calor, é verdade, a intensidade do sexo e de alguns mundos em descoberta comum, mas ficou a súmula de tudo, ficou este amor profundo. Esta coisa grande que é ter uma pessoa próxima, muito próxima, tangível. Como se viver fosse o Eu ampliado a Tu. Como se o EU não fosse EU, mas EU e TU.
Deste desdobramento físico, sensorial e tudo, se fez uma relação forte, uma relação de sempre para sempre. Como se o antes nunca tivesse existido, como se tu fosses intrínseca, como se fosses EU. Olho-te repetidamente embora até possas não o notar, e sei que isso é recíproco. Olho-te com a força de querer tudo, de saber que estás aí com a tua generosidade natural, com a tua inteligência, com a tua liberdade e autonomia. Com os teus desejos grandes, com as tuas idiossincrasias.
Escrevo muito sobre mim e sobre aqueles que me rodeiam e são significativos. Quase sempre me esqueço de ti como se de mim mesmo me esquecesse. Mas, como sabes, dificilmente publico algo sem que passe pelo teu filtro. Como se não fosse capaz de me expor verdadeiramente, como se o EU fosse carente do TU.
Sei claramente que há palavras não contempladas no nosso léxico vivencial, sei que este exercício reflexivo é completamente desnecessário, que todas estas palavras são algo inócuas. Sei que é impossível dizer tudo, sei que posso desistir a qualquer momento deste exercício de colocar em palavras o nosso amor.
Mas vou continuar…
Existem momentos e existem dias em que não distingo, em que não sei verdadeiramente quem sou, não sei efectivamente colocar-me em perspectiva, não sei para onde vou. Questiono opções, questiono tudo, e como se de algo natural se tratasse sempre sei que estarás aí… sempre do meu lado, sempre como prolongamento do tudo. Sempre com a energia grande, sempre TU e EU.
Lemos os mesmos livros, somos reféns das mesmas intensidades, gostamos das mesmas pessoas, podemos compreender o mundo todo com num simples trocar de olhares. Somos tolerantes, somos abrangentes, somos autênticos, partilhamos valores intemporais.
Claro que somos diferentes em muitas coisas, mesmo muito diferentes… a começar com a minha tendência para a ordem em directo conflito com a tua desorganização. Mas mesmo aqui a nossa diferença é apenas um pormenor. Um pormenor que nos aproxima mais do que nos afasta. Respeitamos deliberadamente o espaço do outro, embora eu seja por natureza mais invasivo.
Da nossa longa vida em comum fica este resultado grande de respeito intrínseco pela vontade do outro, desta energia única de levar a vida para frente, desta partilha grande que é dar importância ao que verdadeiramente é importante e nos projecta para a inteligência e a abrangência que esta possibilita.
O nosso corpo caminha junto, em uníssono com as nossas sombras variáveis, mutáveis, errantes e volúveis, como tudo que verdadeiramente importa.
29 abril 2010
"Hold your horses - 70 Million"
Uma daquelas coisas muito fixes que alguns amigos descobrem para nós.
Obrigado Samuel
Obrigado Samuel
25 abril 2010
memória ou poses arrebanhadas a um fotógrafo
Agosto de 2009. São seis e meia da manhã em S. Petersburgo, estou embrulhado em álcool, amor e cansaço e esta imagem não me sai da cabeça.
Porquê?
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