Acredito profundamente nas ideias e na inteligência humana.
Não coloco a origem de todos os problemas actuais da educação numa pessoa, mas numa equipa alargada a que chamamos governo.
Não acredito que atirar ovos a quem quer que seja resolva problemas.
Embora não sabendo exactamente quem foram os energúmenos que o fizeram lá para os lados de Fafe, penso que seria interessante que os sindicatos e forças da oposição a este governo dissessem alguma coisa acerca desta postura intolerável que de alguma forma mancha o que de nobre existe na luta dos professores, que aliás, deveriam veementemente demarcar-se de posições desta natureza.
Eu já me demarquei aqui.
12 novembro 2008
Ovos pelo ar
09 novembro 2008
O colectivo e Eu
Ontem, subi do Terreiro do Paço até ao Marquês em silêncio para sentir demasiadas coisas quando efectivamente se fez um minuto de silêncio.
Interroguei-me sobre o que estava a li a fazer, interroguei-me se vale a pena este percurso que levo vai para 12 anos.
Dei-me conta que tinha 40 anos e não estava absolutamente confiante na minha missão, se é que algum dia a tive. Olhei em volta, olhei sempre em volta à procura de algo que me desse uma resposta conclusiva, como se estas existissem.
Vi colegas de profissão convictos da sua luta, empunhando cartazes, levantando a voz, confiantes de que quem decide somos nós... admirei-os.
Eu por mim... continuo à procura de um lugar em que construindo-me como ser humano, possa efectivamente ajudar os outros a construírem-se a si próprios.
Continuo à procura.
07 novembro 2008
Imogen Heap e o vinho bom
Esta rapariga deixa-me mesmo com vontade de beber um bom vinho. Aí estão duas coisas sem as quais talvez não conseguisse viver.
Um americano dos bons (Gary Vaynerchuk) a falar de vinho também é uma excelente ajuda:
http://tv.winelibrary.com/
O banho matinal
...Eu penso. Este acontecimento é tão mais pungente, quanto menos horas tenha dormido, daí que é para mim um grande incremento aos meus sentidos e filosofias pessoais dormir poucas horas, e contra todas as recomendações médicas, praticar com grande regularidade o acto de apenas dormitar, para que assim possa permitir-me ter grandes ideias sobre o mundo de uma maneira geral e sobre as coisas que me rodeiam em particular.
Foi numa destas manhãs que se me afunilou o pensamento para a concepção maquiavélica de ensino da actual equipa ministerial, impulsionada pelo Pinto de Sousa, que é o nome que, carinhosamente, um querido amigo chama ao dito, por não ser digno do bom nome de um dos grandes pensadores da humanidade.
Concluí pois então, que as principais medidas para melhorar o sistema de ensino em Portugal nos últimos quatro anos foram:
- Mexer na carteira dos professores, congelando os salários e as progressões na carreira durante uns anos;
- Atacar a dignidade dos professores, colocando os portugueses a pensar, que eram estes os grandes culpados dos graves problemas educacionais do país;
- Melhorar a qualidade de ensino fornecendo computadores aos alunos e professores a baixo preço e forjando provas de avaliação nacionais que permitissem melhorar os resultados gerais dos alunos em termos estatísticos;
- Burocratizar de tal maneira o processo de avaliação, que qualquer professor decente se vê condenado a preencher grelhas kafkianas, que no final apenas servem para acabar de vez com a floresta em portugal.
Como sou um daqueles professores que dormem pouco para fomentar o pensamento no banhinho matinal, tenho algumas ideias para melhorar a qualidade do ensino, que embora não sendo novas nunca é demais repetir:
- Colocar os melhores cérebros apolitizados portugueses (sempre na presenção de quem efectivamente está no terreno) a reformular completamente os currículos de ensino, adaptando-os às circunstâncias do nosso tempo;
- Reduzir o número de alunos por turma, permitindo que um ensino mais experimental e menos formatado possa ser colocado em prática;
- Reforçar a autoridade dos professores agilizando todos os processos decorrentes de condutas desviantes;
- Melhorar gradualmente as condições de trabalho nas escolas, fomentando a possibilidade de os professores lá trabalharem em horas não lectivas, libertando-os do trabalho que todos os dias levam para casa;
- Criar um sistema de avaliação não burocratizado que distinga simultaneamente o mérito e seja igualmente formativo, corrigindo eventuais lacunas no desempenho dos profissionais de educação.
Dito isto, Eu, Professor que sempre se dedicou a fazer o melhor que sabe, amanhã, vou estar em Lisboa na Manif e se as coisas correrem bem vou gritar tão alto quanto possível - "estou farto desta merda!"
03 novembro 2008
02 novembro 2008
20 outubro 2008
19 outubro 2008
Não fossem tipos como estes e começo a pensar para que raio necessitamos nós dos EUA
Tom Waits
Devendra Banhart
17 outubro 2008
O peso e a leveza*
Gostar do preto, do azul, do verde, do branco e do amarelo dá-nos um sentido de pertença a essa coisa grande que é ser Homem, ser inteligente e construtor intemporal de realidades.
Olhar para o mundo de forma alargada e sem limitações de qualquer espécie é viver 100 anos todos os dias. Não excluir nada nem ninguém é aproximarmo-nos de tudo, é a quinta-essência
de estar vivo.
Por isso vou ficando triste com muitas coisas que se passam à minha volta - a ignorância, a visão única e o desrespeito pelo outro e pelo seu direito a ser diferente.
Vem isto a propósito do peso que vejo todos os dias na vida de muitas pessoas que parecem encarar a realidade com uma visão direccional - A queixa e o desconforto permanente, a pouca intensidade e abertura com que vêm o mundo, a visão muito parcial da realidade.
Vejo todos os dias pessoas a ter opinião sobre tudo e sobre todos sem se dar conta que o que existe de importante está em nós e não no outro.
O mundo esquece-se que existem múltiplas formas de entender a realidade, muitas formas de viver a vida, tantas formas de comunicação aparentemente incompatíveis.
A verdade não existe em nós, a verdade somos nós em relação com os outros.
Nós construímos-nos em visões alargadas, na tolerância, nas visões alternativas e relativas.
Nós morremos um pouco se formos parciais e tivermos visões de sentido único.
Viver é um momento único e a inteligência é uma faculdade fantástica.
Se tivermos uma mão cheia de areia veremos que quanto mais suavemente a agarrarmos mais probabilidade temos de ficar com ela na mão. Se a apertarmos se a quisermos toda para nós mais rapidamente veremos a mão cheia de nada. Esta extraordinária metáfora deveria permitir que as pessoas do mundo compreendessem que o Homem não necessita de regras, de moral ou de qualquer outro aprisionamento. O que o Homem necessita é de liberdade, de liberdade total.
Se formos capazes de ser livres provavelmente seremos capazes de ser felizes.
* A ideia para o título deste post foi roubada a Milan Kundera, o conceito, mais ou menos consensual, terá sido roubado ao Paulo Coelho, que nunca li e espero nunca vir a ler.
16 outubro 2008
avaliação alternativa
Sendo daquele tipo de pessoas que gosta de dar importância àquilo que tem importância e ignorar até ao limite todas as outras coisas, tenho estado até ao momento completamente "a leste" deste assunto menor que é a avaliação de professores. Não fosse a minha querida colega Teresa a pôr-me ao corrente desta loucura e eu neste momento ainda vivia como se fosse o ano lectivo 2007-2008. Disse até ao momento, porque hoje, iniciei a leitura de várias instrumentos existentes na net que se destinam a orientar os professores na ardilosa tarefa de estabelecerem aquilo que um professor sempre teve obrigação de fazer, ou seja, fazer o melhor que sabe. Como estou entre aqueles que nos doze anos de vida como professor, sempre fez o melhor que foi capaz, achei por bem copiar muitas das boas ideias que altruisticamente muitos colegas colocaram na net e vejo-me assim a fazer aquilo que um bom professor sempre critica nos seus alunos - fazer copy paste. Não o faço porque não seja capaz de estabelecer os meus objectivos, mas porque simplesmente não tenho tempo nem pachorra para esta estupidez.
Como professor que leva a sério a sua profissão e que está ciente da grande importância e influência que pode ter na vida dos alunos, ocupo parte do meu tempo a preparar apelativos power points, escolher as sequências cinematográficas mais significativas, os textos mais ousados e significativos, para que os meus alunos continuem a assistir às minhas aulas sentindo que o "stor" meio alienado, que mete umas asneiras no discurso e está francamente a cagar nos telemóveis que tocam, até é um tipo "porreiro" e como sabe umas coisas da matéria, é naturalmente uma boa influência nas suas vidas.
21 setembro 2008
momentos
O Homem Lento
04 agosto 2008
património
Um livro autobiográfico.
O sentido da vida, as relações familiares e a morte dos que são próximos.
Phillip Roth no seu melhor: reflexivo, intenso e emocional.
02 agosto 2008
ir...
Nunca me deixo impressionar à priori pela qualidade da sua cultura, do seu património, pelas suas gentes ou pela sua gastronomia.
Nunca espero muito de uma viagem.
Fico apenas aberto à novidade e planeio apenas o indispensável.
Vou solto e com a liberdade possível, baseada na hora de partida e o dia de volta a casa.
Depois fico à espera que aquilo que já é também uma outra viagem se reflicta nos dias que passam e potenciem novas viagens.
30 maio 2008
Confissões do Homem e da Máscara
Todos temos um segredo, todos usamos uma máscara.
Se em algum lugar me sinto seguro, se algum lugar faz jus àquilo que sou, esse lugar poderia ser classificado - Freud chamar-lhe-ia, inquietante estranheza (Unheimlich).
Não, não me revejo em questões políticas, não me revejo nas leis, não gosto de futebol e não tenho um olhar consensual do mundo - para além disso pareço ter sido talhado para um excesso de qualquer coisa, talhado para a densidade emocional, para o aprisionamento das palavras ditas. Assim, por força das circunstâncias, tenho naturalmente aquele ar esgrouviado do inadaptado e um certo desaprumo para as coisas próprias da maior parte dos homens. Eu, nasci amputado para a realidade, cumprindo-a, no entanto, com extremado zelo.
Acordo de manhã com o longo dia já decidido, numa extensa lista de afazeres que guardo religiosamente na carteira e que vou riscando à medida que os cumpro. Olho para o mundo segundo o prisma fixo de ter que cumprir o que me propus. Vivo desta angústia de ter e de querer cumprir aquilo que todas as noites estabeleço para o dia seguinte. Vivo escravo deste desejo insólito de evitar falhar. Mas falho, falho rotundamente todos os dias sem excepção, fruto desta ânsia, deste destempero emocional que dia após dia, ano após ano me leva para o nada, para um certo vazio próprio das casas desabitadas. Vivo para tão pouco, que repetidamente me vou dando conta de que não vivo realmente, mas apenas sobrevivo às intempestivas investidas da realidade. Esta realidade que me destrói por dentro, que me escraviza todos os dias e tanto que chega a doer. Sim, a doer, a doer no corpo e em tudo.
Estabeleci uma série de procedimentos regulamentares para viver, estabeleci os filtros mais ousados e as máscaras mais subtis. Escuso-me a pensar que as coisas poderiam ser diferentes, sabendo claramente que o poderiam ser. Para já vou crendo em todas as listas de afazeres que religiosamente cumpro, para me sentir intacto e invencível, para me sentir a fazer parte das coisas próprias do mundo, a querer que ninguém me possa acusar, que ninguém me possa apontar o dedo. Eu não falho para fora, mas falho todos os dias desmesuradamente para dentro.
Esta ambivalência que me destrói, ajuda por outro lado a construir o ser ignaro em que os anos me transformaram. A metamorfosear-me no rato de laboratório da experiência que criei para mim mesmo – na armadilha intemporal.
Tenho um desejo profundo de liberdade que não consigo exprimir. Quero recusar as raízes, mas ainda não sei como se constrói esse paradigma. Penso um dia abandonar tudo e voltar a África para me reencontrar nos sentidos – a terra vermelha, o rugir do Leopardo, os odores adocicados ou acres e o incrível sabor do jindungo. Procuro alguma sanidade na lonjura mas de momento mais não faço que viver na dualidade pouco saudável de estar com um pé na estúpida realidade e outro pé na descrença absoluta de que posso mudar. Sim mudar, reformular o curso das coisas que parecem certas. Afrontar tudo.
Hoje parece-me um dia longo, é um daqueles dias em que o olhar se plasma e deixa fascinar pela realidade, pelas estrelas que avançam para sul junto com os aviões nocturnos. Hoje não adormeci por opção para poder absorver a realidade em toda a sua potência. Hoje procurei superar-me e contrariar para sempre o curso da realidade (da minha). Hoje tomei o pulso ao mundo e decidi sair, decidi dar a cara. Hoje não foi um dia como os outros, hoje caiu uma máscara no preciso momento em que me pareceu ter tomado uma decisão acertada.
27 maio 2008
em Palhaço Voador, citação de "A Estrada" de Cormac McCarthy
12 abril 2008
09 março 2008
viagens aqui na terra
Um mapa da Europa dobrado sobre a mesa, um isqueiro sem gás, e três ou quatro cigarros mal fumados num cinzeiro imundo testemunhavam segundo ele, uma maneira de estar no mundo - nas suas palavras, eram uma espécie de roteiro oficial da alma, de toda a liberdade do mundo e das coisas fundas em que tinha acreditado pela vida fora. A única verdadeira crença que se lhe conhecia lia-se neste mapa coçado e com imensas rugas, nos esquemas assinalados, nas notas de rodapé de um roteiro que durou anos – o meu mapa existencial, dizia. S. era um tipo quase sóbrio de sorriso manso e pose aristocrata. As calças de ganga coçadas, um certo desalinho no cabelo e uma indisfarçável altivez no olhar faziam-nos pensar na figura do velho aristocrata falido.
Imaginamo-lo numa sala de paredes humedecidas, talvez com um piano desafinado ao fundo da sala, um papel de parede retro com inúmeras recordações de viagens espalhadas pelas paredes, e claro, umas garrafas de vinho intragável na cave. A casa solarenga e decrépita no meio de vinhedos abandonados, uma entrada frondosa e descuidada, um portão imponente mas irremediavelmente partido e ferrugento, compunham o quadro visual e existencial deste viajante que viveu longos anos na Alemanha, falava fluentemente a língua de Goethe, e que tinha um fabuloso discurso relacional sobre tudo.
03 março 2008
via ctt
Por força do progresso e do mundo tecnológico, que nos dias que correm são conceitos em parceria, foi necessário fumar três cigarros em lugares proibidos para desembainhar esta estória de hábitos e devaneios antigos, pegar numa caneta BIC e a escrever.
No e-mail que o meu amigo me enviou e onde recusava solenemente uma inscrição na ViaCTT, adivinhei-lhe a tristeza e a frustração de o carteiro já não aparecer tantas vezes e, de outras tantas, já nem ter tempo para o receber. Também ele se habituou, resignado, às virtudes do progresso e foi-se contentando em receber envelopes timbrados do cetelem, uma ou outra conta da electricidade ou do telefone. Todo o mundo, e até os bons amigos, se tinham rendido ao e-mail. Ele próprio ia escrevendo as suas mensagens telegráficas num português descuidado e sem alma, no seu HP de última geração. O que é evidente é que lhe faltava o cheiro a papel, o doce deslizar da faca pelo envelope, para depois se deliciar com as notícias que vindas de onde viessem constituíam para si sempre uma surpresa.
Hoje, olhava os monitores com idêntico entusiasmo e regularidade, mas sem a intensidade e sem a surpresa de outrora. O Gmail, que ele claramente assumia ser uma grande invenção, ia a pouco e pouco esventrando-lhe a alma e afastando-o da importância que sempre teve para si receber uma carta, daquelas escritas à mão e a cheirar a verdadeiro papel e tinta BIC.
05 novembro 2007
O peso e a leveza
Nos rituais de morte, ambas as acções tem por finalidade expiar a mesma dor, o mesmo desconforto e ajudam-nos a reencontrar a normalidade possível.
De tão viscerais que são, ambas as manifestações podem decorrer em simultâneo, sendo que apenas, a associação naturalmente feita a cada uma delas, ou o medo do que os outros possam pensar de nós, nos leva a conter esta livre e extraordinária ambivalência do sentir.
Como já vão fazendo parte das minhas vivências, experienciar alguns intensos rituais de morte, tenho observado que em muitos momentos as pessoas riem até às lágrimas, soltam grandes gargalhadas, dizem piadas cáusticas, parecem quase felizes. Estas expressões, ao contrário do que se possa pensar, não correspondem a qualquer tipo de leviandade ou falta de decoro - bem pelo contrário, elas existem para nos aliviar do que é pesado e ajudam-nos a reencontrar a leveza espiritual necessária ao equilíbrio emocional. Momentos assim bonitos acontecem por exemplo,
na noite em que se vela o falecido, a altas horas, quando já só estão presentes pessoas chegadas ao falecido; ou, após o funeral, quando o corpo é devolvido à terra e a nossa mente se torna leve flutuante e criativa, que para os crentes, pode ter como paralelo o momento em que a alma do defunto se eleva ao Reino dos Céus.
24 agosto 2007
12 agosto 2007
10 agosto 2007
31 julho 2007
14 maio 2007
Geometria da alma

img aqui
Sempre me deixei fascinar pela falta de perpendicularidade, pelos planos inclinados, pelas rampas, pelos trapézios e por outros objectos que tendem a desafiar a gravidade ou, pelo menos, o nosso giroscópio natural que nos impele à verticalidade. Talvez por isso a Casa da Música, no Porto, seja o meu edifício fetiche, a minha casa. Visto do exterior ou a partir do interior tudo nele é um desafio, os seus labirintos, os espaços diferenciados, as transparências, a obliquidade, as surpresas permanentes. É igualmente um desafio porque inquieta os sentidos e provoca comprovadamente a reflexão. Quando lá entrei pela primeira vez pensei que nunca o iria descobrir na íntegra e ainda não desisti dessa convicção. Este edifício contém em si uma espécie de geometria da alma e corresponde a uma visão do mundo que, não sendo original, é aquela em que acredito e aqui venho defender convictamente, ou seja, olhar para as coisas sob um ponto de vista inclinado.
Aviso desde já os leitores que esta ideia de gostar de inclinações é uma qualidade que possuo e, não fazendo de mim nem melhor nem pior que ninguém, corresponde a uma visão do mundo que ao longo deste curto artigo fará de mim um homem de nobres virtudes, que em boa verdade e sem arrogância garanto possuir, mas que pode igualmente fazer de mim um alvo a abater.
A Inclinação
Observar o mundo sob um ponto de vista diferenciado, daqui para a frente e por força de uma certa visão, designado de inclinado, ajuda qualquer um a desenvolver o sentido da relatividade que é um primeiro passo para o desenvolvimento da criatividade e do sentido crítico sobre aquilo que apelidamos de real. Ver inclinado não é fácil, como não é fácil lutar contra uma multidão de pessoas verticais e sem capacidade de soltar uma grande gargalhada no momento mais sério. O povo diz e com razão que rir é o melhor remédio e eu passo a explicar porquê: quando rimos verdadeiramente contorcemos de tal forma o corpo que passamos a ver o mundo sob um ponto de vista inclinado, o que me vem dar razão nesta visão que aqui defendo.
Sabemos bem que é sempre a dificuldade em perspectivar, em relativizar, que conduz à generalidade dos conflitos humanos, daí que talvez possamos ter uma sociedade mais assertiva quando um maior número de pessoas for capaz de se inclinar. Claro que existem aqueles que por natureza se tornaram inclinados e para os quais meio mundo sempre olhou com alguma desconfiança, estou a pensar, por exemplo, nos artistas e nos cientistas visionários. Mas a inclinação não é necessariamente uma coisa inata ou propriedade de alguns, pois qualquer um que seja capaz de rir ou chorar pode sem dúvida alcançar esse estádio crítico (e inseguro) de ficar inclinado e assim contribuir para uma visão ampla e relativizada do mundo, contribuindo igualmente para a natural resolução salutar dos problemas mais comezinhos da vida de todos os dias e porque não dos grandes problemas que nos afectam a todos.
O Fanatismo
Segundo o galardoado escritor Israelita Amos Oz a essência do fanatismo (consequência inequívoca da falta de inclinação humana) reside no desejo de obrigar o outro a mudar, aliás ainda segundo o mesmo autor o fanático é um grande altruísta: “quer salvar a nossa alma, redimir-nos. Livrar-nos do pecado, do erro, do tabaco, da nossa fé ou da nossa carência de fé. Quer melhorar os nossos hábitos alimentares, ou curar-nos do alcoolismo”, enfim “o fanático morre de amores pelo outro”. Ora o nosso tempo está pleno de fanáticos encapotados que querem parecer verdadeiros democratas e defensores da liberdade, mas o que nós não vemos a maior parte das vezes é que a alma de muito desta boa gente congemina no mais profundo de si, na “gruta da alma” o maior dos fanatismos e a maior das desconfianças relativamente a tudo que foge da norma. É destas mentes invisíveis que devemos ter medo, muito medo, pois a invisibilidade, a par do fanatismo, é uma das maiores inimigas da inclinação. É na invisibilidade que se congeminam as mais audazes estratégias subversivas, as lavagens cerebrais mais profundas, é uma verdadeira força do mal, arvorada em princípios tão rígidos e conformistas que dão aos seus possuidores a capacidade de sentirem a mais inabalável das confianças e acreditar que a verdade é só uma, que o caminho está traçado e que tudo se concretizará se não fugirmos do trilho altruisticamente construído pelos sábios da invisibilidade que, qual Deus omnipotente e omnipresente, conduz o mundo a um porto seguro.
A Transparência
Contra a invisibilidade de que atrás falávamos, os seres inclinados contrapõem a transparência, os reflexos, as nuances, as imagens volúveis, as visões fractais, uma certa ideia de inacabado. Os seres inclinados ao contrário das forças da invisibilidade não têm nada a esconder, são naturalmente abertos ao mundo e acreditam que o conhecimento é maior quando abertamente partilhado. Os seres inclinados são verdadeiros adeptos das possibilidades comunicacionais da contemporaneidade e não têm medo da sociedade em rede, bem pelo contrário, vêm nela uma estrutura não hierarquizada e livre que corresponde àquilo que Manuel Castells chamou de “Glocal” - uma estrutura comunicacional que actua do global para o local e do local para o global, ou seja, um processo de conhecimento que por ora apenas exclui (e este é um dos grandes desafios do nosso tempo) aqueles que por várias razões não têm acesso à rede, mas que, por outro lado, permite àqueles que lhe têm acesso partilhar conhecimentos de forma até agora nunca vista.
Para terminar gostaria de deixar aqui uma mensagem de força a todos os inclinados do mundo ou aqueles que por qualquer razão se encontram próximos desta visão - riam, chorem muito, porque rir e chorar é uma forma pura e virtuosa de pensar o mundo.
26 abril 2007
10 fevereiro 2007
Capital Cultural do Norte "just for one day"
Quanto aos Dead Combo, que não conhecia, foram uma extraordinária surpresa muito próxima de algumas das coisas que mais gosto em termos musicais.
Como os "excessos de natureza" (diria Miguel Torga) se pagam caro, passei o resto do fim de semana febril, a meio caminho entre uma vontade desmesurada de chorar e viver (compreensível) e uma esquisita mas convincente tendência para adormecer encharcado.
09 fevereiro 2007
esta forma de amar o mundo não tem sexo
Quero que gostes de Pina Baush, ou até já nem gostes,
queiras mais queiras diferente;
que gostes da cor e do risco forte de Miró
e do canto desiludido e fundo de Ferré;
quero que aprecies os cheiros sensíveis da eternidade
do grande bruto grande e do pequeno sensível e pequeno;
quero que mores nas páginas da Photo e que, sendo um modelo de virtudes
representes a cortesã mais lassa para mim;
quero-te com mãos de pedra e de veludo;
quero que ames o chique e a Serra d'Aire
- mais o safari que a recepção,
quero que mores e sofras nas páginas de Guido Crepax
e que te irrites com a perfeição absoluta de um retrato de Medina
quero que, se possível vivas dentro do anúncio do Martini
felina e ondulante numa ilha tropical
quero que sejas capaz de divertir-te, de soltar uma ampla gargalhada,
ante o espectáculo ridículo e obsceno de um homem de Quinhentos
a quem atribuíssem um número de contribuinte
quero que ames o longe e a miragem, como o Régio
e que sejas louca e sábia
que tenhas lábios e mordas,
língua e sorvas, sexo e sexes, salto e salto, riso e rias,
sorvedouro inteiro de vida, arrepio de garça, sacudir de cisne,
passos de corsa, graça de arlequim,
pose de Diva, corpo de areia e luz.
E quero que me dês, me dês muito, que me dês tudo,
e que abras as janelas de par em par ao Tejo
e fecundes um poema em cada gesto
e voes como a gaivota em cada espreguiçar
e partas para a Índia em cada cacilheiro
e que sejas, mores, vivas e creias
longe
muito longe daqui...
quero que sejas profundamente minha e ritual
obsessiva e lúcida, doente, febril, tremendo de desejo
disposta a tudo e a mais e a muito mais,
boca de Mundo, seios de Mármore, corpo de Alfazema
e sobretudo Mulher e sobretudo amante.
Se existires assim, nua, inteira, absoluta e pessoal
responde-me
que eu fico aqui, eterno, à tua espera.
(letra e música de Pedro Barroso in CD «Longe daqui», 1990)
24 janeiro 2007
talvez um vinho bom não seja só o despertar sensorial
talvez uma manhã fria não seja só... uma manhã fria
talvez o tempo seja pessoal e intransmissível
talvez estejamos sonolentos na manhã mais clara
talvez estejamos ausentes nos momentos essenciais
talvez façamos pouco por nós mesmos
talvez sejamos escravos de tudo
talvez estejamos amarrados num porto aparentemente seguro
talvez possamos mudar tudo
talvez possamos partir
talvez nos queiramos perder
talvez não estejamos felizes
talvez o muito que temos seja pouco
talvez a vida seja curta e o mundo extenso
talvez sejamos ínfimos
talvez queiramos estar parados
talvez queiramos dormir
talvez seja inglória a nossa inquietação
talvez sejamos frágeis
talvez queiramos nascer de novo
talvez não valha a pena movermo-nos
talvez valha a pena abdicarmos de muitas coisas
talvez não sejamos tão criativos como pensamos
talvez não saibamos tanto quanto seria possível
talvez possamos morrer
talvez estejamos sempre a meio do caminho
talvez não seja importante ter moral
talvez o nosso relativo sucesso se deva ao nosso igualmente relativo insucesso
talvez a nossa coragem seja relativa
talvez os nossos conceitos sejam pouco abrangentes
talvez os bons momentos não cheguem
talvez os maus momentos não nos construam tanto quanto isso
talvez a nossa vida não valha nada
talvez tenhamos que procurar mais longe
talvez os espaços condicionem as almas
talvez os espaços sejam os nossos carcereiros
talvez nós sejamos carcereiros de nós mesmos
talvez pouco seja muito... ou não seja nada.
09 janeiro 2007
Artaud e o seu duplo
Esta companhia estreou-se no dia 5 de Janeiro com uma peça baseada na atribulada vida de Artaud - dramaturgia de Ricardo Ferreira de Almeida.
Se o facto de aparecer uma nova companhia teatral em Vila Real é um claro reflexo da dinâmica introduzida pelo Teatro de Vila Real e é bem vinda, já o desempenho dos actores na referida peça deixou muito a desejar. Um texto e uma estória tão pungente necessitava de actores mais talentosos ou pelo menos mais experientes. Poderei no entanto concordar que o desafio era extremamente difícil e talvez por isso não terá sido a melhor ideia avançar por caminhos tão pantanosos.
De qualquer forma é importante ficarmos atentos porque eles têm garra e certamente farão melhor na próxima oportunidade, para além que é uma lufada de ar fresco comparando com o trabalho que a Filandorra nos tem habituado ao longo dos anos - um tipo de teatro parado no tempo não pelos textos que escolhe mas pela utilização recorrente de soluções cénicas e dramaturgicas gastas.
29 dezembro 2006
aqui se vê a força d...
Na minha modesta opinião a despenalização do aborto deveria ser legislada pelo governo e pronto - sempre se poupavam uns milhões ao erário público.
Mas como não há nada a fazer, não posso deixar aqui de manifestar a minha opinião.

olhares

Pierre Gonnord. Sónia II (da série Regards), 2000
(...) "impressiona-me sobretudo a rigorosa composição do rosto
em completa imobilidade
gravada para sempre
talvez por algum obscuro pintor da vida."
José Agostinho Baptista
14 dezembro 2006
arte e intervenção
Lembrei-me de um acontecimento na vida de Picasso:
numa das muitas visitas ao seu ateliê um dos censores de Franco perguntou-lhe:
foi o senhor que fez aquilo - apontando para a Guernica - ao que Picasso respondeu: não.Foram os senhores.
09 dezembro 2006
05 - Sr. de Preto (1995)
Estória do Gato e da Lua - Pedro Serrazina 1995
04 - O sabor da lama
És cruel, bruto e igualmente frágil e sei que um dia vais cair desse pedestal de cartão - deixa vir as primeiras chuvas para que assim possas sentir o sabor da lama - talvez depois disso possas entender-me melhor e aproximares-te realmente de mim.
06 dezembro 2006
03 - do sr. de preto para a sra. nakata
Tom Waits - Take Me Home
02 - OLHAR PARA DENTRO
Hoje por sinal, acordei como se me tivesse visto por dentro, como se num estranho sonho todo o meu corpo se virasse do avesso e as entranhas se revelassem em todo o esplendor.
Hoje acordei tonta, enlouquecida pela luz.
Quando te aproximaste, a medo, vi-te desfocado e quando sentiste o meu cheiro foi como se não me reconhecesses e fugiste.
Fiquei fula e desorientada, vomitei aquilo que comi.
Tu foste embora enjoado.
Parou de chover e tu não voltaste. Deverás estar agora oculto no escuro e eu aqui tonta, desequilibrada e sem sentido para a vida.
(continua)
05 setembro 2006
01 - um acontecimento inquietante
A Sra Nakata, aranhou a porta, arranhou-lhe a pele e disse que queria ser dele para sempre.
O Sr. de Preto inquietou-se.
(continua)
29 junho 2006
os que vão e os que ficam
Os que vão deixam de existir para os que ficam
Os que ficam sabem que os outros foram
Claro que os que ficam podem ter o desejo de ir
Mas como podemos saber se os que foram não sentem uma terrível vontade de voltar
Se cada um de nós for uma vez na vida, não sabe se será capaz de regressar
Se alguém que foi voltou, talvez não tenha feito a melhor opção.
Na realidade a grande preocupação dos que vão e dos que ficam não é o espaço
- é o tempo e a qualidade das viagens.
28 junho 2006
os que vão
Foste para o sul sem deixar rasto. Foste célere e
endoidecido. Estavas cheio de ideias que toda a gente pensou serem utópicas. Tu
estavas muito seguro e crente nessa viagem sem retorno. Querias outro
continente, outra vida - querias que tudo, mesmo tudo mudasse. Estranhaste
alguém poder pensar que isso era uma loucura, um devaneio. Estavas certo que
esse caminho era o teu caminho. Avançaste sem hesitar, sem te voltares para
trás. Estavas confiante e seguro que só sobreviverias enterrando metade da tua
vida. Assim foi, nunca mais voltaste, nunca mais ninguém soube de ti. Aquela
visão de criança, que um dia me contaste e em que sonhavas ser conhecido
desvaneceu-se naturalmente com os anos. Hoje tudo aquilo que querias era o
oposto, e pela primeira vez pudeste ser quem querias ser, no momento escolhido
por ti.
Nunca mais te vi desde então, mas mesmo assim não saíste de mim, e quero
acreditar que isso seja recíproco. Quanto mais não seja quando bebes um ou dois
copos de vinho bom (será que ainda bebes vinho) ou quando por acaso sobes um penhasco
qualquer e olhas do alto. Ou será que os sítios altos já não te fascinam e
vives agora ao nível do solo em vastas planícies? Não sei até que ponto mudaste,
mas também o que interessa isso. Tu quiseste ser outra coisa e isso terá sido tão
bom para ti como foi e continua a ser surpreendente e enriquecedor para mim.
27 junho 2006
Quantas vezes
aprender, desaprender, recomeçar
estar perdido, não saber.
Procurar, estudar, perder-se novamente.
Voltar aos lugares de sempre e não mudar nada.
Caminhar outra e outra vez e estar permanentemente inquieto com a viagem.
Saber, interiorizar e desconfiar - do que se sabe do que se é, e se vale a pena.
Ouvir dez vezes o mesmo ensinamento e mesmo assim desconfiar.
Reformular dentro de si perdendo-se e não sabendo se o caminho percorrido é para valer.
Voltar ao princípio iludindo-se que o caminho é novo e desiludir-se.
Voltar atrás e aprender, desaprender e recomeçar.
o triunfo da vontade

hoje alguém me contou uma estória muito intensa
uma daquelas estórias que fica em nós para sempre
uma estória que faz parte de mim...
...em parte porque já cá estava
...em parte porque nunca saiu de mim
...em parte porque deveria estar em todos nós.
porque volto.
volto porque também sou palhaço
volto porque me apetece
volto porque quero dizer coisas
digo que amo
digo que vivo
digo tudo
digo sempre
sempre...
...que é intenso
...que me inquieta
...que me toca
...que me desnuda
...que dói
...que sangra
...que sou feliz
volto só para dizer.
dizer que existo
dizer que acredito
dizer o que sei
dizer que estou aqui
volto para aqui...
...porque me sinto bem
...porque me conforta
...porque me desconforta
...porque sim.
04 março 2006
22 fevereiro 2006
Este blogue está:
Sem sustento
(In)sustentável
que me desculpem os visitantes e amigos que por aqui passam regularmente.
Espero voltar em breve.
STOP
06 fevereiro 2006
05 fevereiro 2006
Mais emoção, menos "conceitos". Mais actores, menos "espectáculo tecnológico"

Um número de Caryl Churchill
Encenação: João Pedro Vaz
Interpretação: João Cardoso e João Pedro Vaz
Assédio Teatro
E se de repente descobríssemos que, além de nós, existem outros como nós. Exactamente como nós. «Um número indeterminado deles, de nós, um número considerável» de clones, fabricados a partir do nosso material genético. E se de repente, ao dobrar a esquina, nos encontrássemos connosco próprios? «Se sou eu ali então quem sou eu?» aqui
A peça não tem qualquer conteúdo futurista ou de ficção científica, a clonagem é só um pretexto para falar de outras coisas.
João Pedro Vaz
Como cada vez menos me interessam os «conceitos» e mais as emoções, tem sido um belissímo processo de trabalho.
João Pedro Vaz
Um espectáculo sobre a identidade e a natureza humana num excelente texto com excelentes interpretações de João Pedro vaz e João Cardoso.
Aconteceu no Teatro de Vila Real na última Sexta Feira
20 janeiro 2006
18 janeiro 2006
Viver

uma boa parte de mim exprime a sua revolta, raiva, ansiedade, alegria e tristeza em plena condução solitária e para uma paisagem que não se me fixa no olhar.
11 janeiro 2006


"Primavera, Verão, Outono, Inverno e... Primavera"
Kim Ki-duk
Correia do Sul, 2003
Uma perspectiva oriental sobre o ciclo da vida e a aprendizagem humana.
26 dezembro 2005
Desejos de novo ano

Yves Klein, Leap into The Void, Fotografia 35x27 cm (Foto manipulada)
23 dezembro 2005
Presentes de Natal

Tuxspo Poyo. "La diosa y el mensajero", fotografia, 122 x 180 cm, 1998. (Foto manipulada)
06 dezembro 2005
fast minds
é um projecto interessante e muito aconselhável.
Diz-se que funciona subliminarmente.
Ainda não tenho prova concreta que me esteja a fazer bem, mas mal também não faz,
afinal quem não gosta que lhe digam coisas do género:
"You are beautiful"
"You are creative"
"I have to be myself"
"I create wonderful ideas"
...ainda que seja durante uma décima de segundo.
04 dezembro 2005
The Armenian Navy Band

"existem três coisas importantes na vida: ar, água e comida"
Arto Tunçboyaciyan
um momento de forte espiritualidade no Teatro de Vila Real.
mais informação aqui
MP3.1
MP3.2
02 dezembro 2005
para quê
Para quê ver
Para quê tolerar
Para quê saber
Para quê, esse exercício completo e fútil de responder a todas as questões dentro de mim
Para quê saber tantas coisas inúteis
Para quê desculpar a mediania
Para quê ouvir toda a gente
Para quê estar sempre à espera que alguém revele coisas importantes
Para quê importar-me com a mediocridade
Afinal...
não sou psicólogo
Não sou psiquiatra
Não espero melhorar nada no mundo
Não quero ser nada
Não quero ser exemplo para ninguém
...não sou exemplo para ninguém
28 novembro 2005
25 novembro 2005
borracha do tempo - aquela escultora
Talvez fosse necessário usar uma borracha tão grande e absorvente que correria o risco de me apagar a mim mesmo.
E francamente não quero, nem ignorar alguns dos dias que passam, nem desaparecer no manto obscuro de uma borracha absorvente.
03 novembro 2005
Esquecer
Que a nossa vida poderia ser completamente diferente;
Que o esforço que por vezes fazemos até pode ser inglório;
Que o tempo passa;
Que só se vive uma vez;
Que o que parece fazer sentido só existe em relação com os contextos;
Que tudo que fazemos nos constrói, mas que muitas vezes esta construção é uma teia que nos ameaça e escraviza;
Que somos potencialmente livres e ao mesmo tempo reféns de tantas concepções apriorísticas, que quase nunca nos surpreendemos;
Que o caminho que percorremos é apenas um caminho.
Esquecemos muitas vezes, muitas coisas, só porque não nos queremos lembrar ou saber, que outros caminhos são possíveis querendo.
01 novembro 2005
Voltar a um lugar

Os momentos precisos.
Pequenas coisas.
Excentricidades.
Segredos.
Desejos.
Bem estar.
Amor.
Transformação.
Tudo questões de sempre.
22 outubro 2005
começo a descobrir aquilo que não quero e aqueles com quem vou andar de braço dado
os que se inquietam com o ritmo das coisas
os que me surprendem pela espontaneidade
os que não são medianos, porque existem de uma forma única
os que não têm partido
os que se adaptam a diferentes realidades vivênciais e só as questionam no dia seguinte
os que respiram e os que se peidam, sem dizer nada
os que usam o olhar como forma suprema de comunicação
os que se revoltam e os inconformistas
os que assumem aquilo que são
os que amam sem limites
os que acreditam que a sua atitude perante o outro é uma construção individual e contagiosa
os que "usam" o que de bom existe no outro para se construirem a si mesmos
os que recusam a ser parecidos com os outros, porque são incapazes de o ser
os que se calam quando lhes parece que em volta só existe ruído
os que são convictos, mas também aqueles que o não são
os que são sensíveis às pequenas coisas em desfavor das "grandes causas"
os que se surpreendem com frequência
os que esperam... esperam algo dos outros
os que não têm ideias preconcebidas acerca de nada
Vou querer sobretudo aqueles com quem sinto um compromisso natural, uma coisa intrínseca e indizível...
15 outubro 2005
saraband

SARABAND (2003). Ingmar Bergman. Com Liv Ullmann et Erland Josephson
Um dos filmes que, como os grandes amores ou as grandes amizades vai estar em mim para sempre.











