
Ingmar Bergman, Persona (1966) - na imagem Bibi Andersson e Liv Ullmann
Se eu quisesse escrever sobre este filme todas as palavras seriam necessessariamente redutoras.
Por isso, veja-se, reveja-se e volte-se a ver.

Aqui há uns dias interrogava-me acerca da questão interioridade/urbanidade a propósito de um post acerca da revista “Periférica”. Hoje chegou até mim e sem esforço um esboço de reflexão sobre o assunto.
Por razões profissionais e com enorme prazer, tive com alguns colegas de trabalho, um encontro com dois vultos da cultura portuguesa, respectivamente, Graça Morais e Pedro Caldeira Cabral. Tal encontro decorreu primeiro num agradabilíssimo almoço a que se seguiu um revelador encontro de Graça Morais com alunos da Escola Secundária João de Araújo Correia, no Peso da Régua. E digo revelador pois Graça Morais, igual a si mesma e à sua pintura falou aos alunos e respondeu às suas perguntas com a autenticidade que lhe é característica, na obra que eu já conhecia, e que agora se me revelou também no seu olhar e na personalidade afável e disponível que pude conhecer.
Posso dizer que conheço razoavelmente bem a obra da pintora, ao contrário da obra do músico e compositor Pedro Caldeira Cabral, reputado especialista em guitarra portuguesa e também ele com um percurso artístico notável.
Graça Morais é natural de Vieiro, uma aldeia trasmontana perto de Vila Flor e a sua obra é um excelente exemplo da relação que se pode estabelecer entre o cosmopolitismo e a ruralidade. Com uma já longa carreira e uma assinalável notoriadade, a sua obra desde sempre reflectiu esse microcosmos que é a sua aldeia natal, mas que numa visão mais alargada se pode considerar a visão de uma certa ruralidade nacional. Talvez não exista em Portugal exemplo tão feliz, profundo e intenso dessa interpretação antropológica do Portugal interior.
O traço de Graça Morais é forte, quase masculino, se é que os traços têm sexo, e terá na sua génese, a influência dos expressionismos do início de século, a multiplicação/fragmentação da realidade de um Picasso ou mesmo as transparências e realismo mágico de Francis Picabia.
Particularmente interessante foi o encontro com os adolescentes interessados em ouvir o que a artista tinha para dizer e para os quais Graça Morais se disponibilizou para responder a todas as perguntas que estes lhe colocaram. Não pude deixar de notar a humildade sábia de quem alcançou um lugar de destaque na arte portuguesa, o sorriso bonito e toda a disponibilidade do mundo, que é apanágio de quem fez uma boa construção existencial e não chegou lá por acaso.





No cinema…
uma das coisas que me fascina são os hiatos temporais que apagam tudo que é supérfluo.
Por outro lado…
também me agrada quando o realizador quer dizer-nos que aquilo que é infímo e parece não ter importância é um factor decisivo, não só na narrativa, como no processo vivencial que constrói os personagens.
Há um cinema que nos quer ocultar os hiatos temporais e mostrar-nos o processo existêncial passo a passo. O grande Kiarostami pode ser um dos exemplos paradigmáticos.
Gosto particularmente…
quando num filme o personagem inicialmente de costas para a câmara de repente se volta e firma um olhar revelador. Nesse preciso momento a câmara subjectiva (o olhar do mesmo personagem) encontra aquela plenitude, a revelação do encontro com algo que possamos considerar fundamental: um profundo desejo de mudança ou uma brisa que agita uma flor.

o que nos dizem as letras em webcedário

Certamente muitos já terão visto por aí nas bancas a revista Periférica, da qual aliás eu sou assinante desde o primeiro dia. Primeiro por solidariedade regional e depois por me parecer um “pontapé” bem assente na interioridade onde nada parece acontecer, mas onde ao mesmo tempo também tudo acontece num ambiente certamente mais saudável (refiro-me literalmente ao ambiente) do que na urbanidade cosmopolita e “avançada”.
Desta revista se pode dizer que é para ler, o caracter miudinho e o texto denso afasta qualquer leitor apressado. Pode ainda dizer-se que tem um grafismo à altura. Quem a vê pela primeira vez dificilmente dirá que esta é escrita, produzida e reproduzida em pleno Trás-os-Montes (tal é a visão que se tem do interior). O único elemento delator da sua interioridade talvez seja mesmo a publicidade de página inteira que muitas vezes pelo seu grafismo “pitoresco” mais parece um sarcasmo da irreverente revista do que algo para levar a sério. Mas claro, estes projectos têm custos.
No entanto, e apesar de tudo que foi dito, tenho com a “Periférica” uma relação de amor/ódio.
É uma revista do interior que sistematicamente pisca o olho à urbanidade cúmplice, vejam-se as acções de lançamento realizadas em lugares da moda, na capital. Até aqui, tudo bem. Pior é quando por vezes os textos roçam a erudição hermética e afectada, a começar nos editoriais, que são escritos por quem realmente não acredita no interior. Francamente não sei como me relacionar com este facto, já que também eu próprio apesar de ser e viver no interior, tenho sob muitos aspectos uma grande dificuldade em me relacionar com ele. Mas que não gosto nada, lá isso não gosto.
É uma revista do interior, que no fundo o despreza e o minimiza e onde o ser-se construtivo ou até didáctico não tem espaço.
Francamente penso que esta revista, do interior, só tem mesmo o nome da aldeia onde é produzida (Vilarelho – Vila Pouca de Aguiar) e a ficha técnica, já que o seu público privilegiado e mesmo assim minoritário, é urbano, não havendo nela nada, ou quase nada, que reflicta a interioridade, à excepção, claro, da publicidade!




Os ovos e o bacon eram considerados na sociedade americana de finais do século XIX, alimentos afrodisíacos conducentes à masturbação. Para refrear os hábitos "perversos" dos "bons americanos" o senhor Will Keith Kellogg criou os agora muito famosos Kellogg's. No sítio da empresa refere-se que o senhor Kellogg acreditava que a "dieta" era um factor muito importante para um estilo de vida saudável e que o pequeno almoço era a refeição mais importante do dia. Será que alguém acredita nesta "dieta"?
Eu por mim prefiro Chocapic.