29 dezembro 2006

aqui se vê a força d...

não costumo participar em campanhas, ainda menos naquelas que nem sequer deveriam existir, no entanto, esta questão do aborto parece-me particularmente importante.

Na minha modesta opinião a despenalização do aborto deveria ser legislada pelo governo e pronto - sempre se poupavam uns milhões ao erário público.

Mas como não há nada a fazer, não posso deixar aqui de manifestar a minha opinião.


olhares


Pierre Gonnord. Sónia II (da série Regards), 2000

(...) "impressiona-me sobretudo a rigorosa composição do rosto
em completa imobilidade
gravada para sempre
talvez por algum obscuro pintor da vida."
José Agostinho Baptista

14 dezembro 2006

arte e intervenção

perguntaram-me hoje em tom sarcástico se a arte intervinha na realidade.

Lembrei-me de um acontecimento na vida de Picasso:

numa das muitas visitas ao seu ateliê um dos censores de Franco perguntou-lhe:

foi o senhor que fez aquilo - apontando para a Guernica - ao que Picasso respondeu: não.Foram os senhores.

09 dezembro 2006

05 - Sr. de Preto (1995)

Estória do Gato e da Lua - Pedro Serrazina 1995

04 - O sabor da lama

Uma música sempre é um sinal e mais uma vez revela essa incapacidade de te revelares, de te colocares nu perante os outros e sobretudo perante mim. Esse teu jeito fechado e sisudo, esse teu olhar falsamente desamparado e ausente vão destruir-me.
És cruel, bruto e igualmente frágil e sei que um dia vais cair desse pedestal de cartão - deixa vir as primeiras chuvas para que assim possas sentir o sabor da lama - talvez depois disso possas entender-me melhor e aproximares-te realmente de mim.

06 dezembro 2006

03 - do sr. de preto para a sra. nakata

Tom Waits - Take Me Home

02 - OLHAR PARA DENTRO

Vivemos juntos há três meses e posso dizer que já tivemos momentos felizes, já partilhamos muitas coisas, no entanto, não posso deixar de sentir que sempre me viste como uma estranha. Nunca te adaptaste realmente ao facto de termos que partilhar um mesmo espaço. Ao longo do tempo fui sentindo que as tuas ausências eram cada vez mais prolongadas - chegavas a dormir fora sem avisar. Via o tempo passar e sobretudo dormia muito.

Hoje por sinal, acordei como se me tivesse visto por dentro, como se num estranho sonho todo o meu corpo se virasse do avesso e as entranhas se revelassem em todo o esplendor.
Hoje acordei tonta, enlouquecida pela luz.
Quando te aproximaste, a medo, vi-te desfocado e quando sentiste o meu cheiro foi como se não me reconhecesses e fugiste.
Fiquei fula e desorientada, vomitei aquilo que comi.
Tu foste embora enjoado.

Parou de chover e tu não voltaste. Deverás estar agora oculto no escuro e eu aqui tonta, desequilibrada e sem sentido para a vida.

(continua)