28 março 2005

27 de Julho de 1973. 18:31:43


composição sobre um desenho de João Rodrigues
uma vinha.uma árvore.alguém por perto

25 março 2005

No cinema...

No cinema…
uma das coisas que me fascina são os hiatos temporais que apagam tudo que é supérfluo.

Por outro lado…
também me agrada quando o realizador quer dizer-nos que aquilo que é infímo e parece não ter importância é um factor decisivo, não só na narrativa, como no processo vivencial que constrói os personagens.
Há um cinema que nos quer ocultar os hiatos temporais e mostrar-nos o processo existêncial passo a passo. O grande Kiarostami pode ser um dos exemplos paradigmáticos.

Gosto particularmente…
quando num filme o personagem inicialmente de costas para a câmara de repente se volta e firma um olhar revelador. Nesse preciso momento a câmara subjectiva (o olhar do mesmo personagem) encontra aquela plenitude, a revelação do encontro com algo que possamos considerar fundamental: um profundo desejo de mudança ou uma brisa que agita uma flor.

19 março 2005

sol raiano

É-me muito difícil falar daquilo que fui. Dos livros que li, os filmes mais especiais, os momentos intensos, os excessos que vivi.
Quase me recuso a reflecti-los.
Quem me encontrar terá sido por acaso. Um acaso feliz ou um desencontro.
Quando publico (posto) tenho um espelho na mão que por força da verdade só pode reflectir-me a mim, nas misérias e nas virtudes de ser-se humano.
Quem me quiser, vá à fronteira ou ao planalto, onde o sol do fim de tarde é uma laranja e o desejo é de infinito.

18 março 2005

periferias



Certamente muitos já terão visto por aí nas bancas a revista Periférica, da qual aliás eu sou assinante desde o primeiro dia. Primeiro por solidariedade regional e depois por me parecer um “pontapé” bem assente na interioridade onde nada parece acontecer, mas onde ao mesmo tempo também tudo acontece num ambiente certamente mais saudável (refiro-me literalmente ao ambiente) do que na urbanidade cosmopolita e “avançada”.
Desta revista se pode dizer que é para ler, o caracter miudinho e o texto denso afasta qualquer leitor apressado. Pode ainda dizer-se que tem um grafismo à altura. Quem a vê pela primeira vez dificilmente dirá que esta é escrita, produzida e reproduzida em pleno Trás-os-Montes (tal é a visão que se tem do interior). O único elemento delator da sua interioridade talvez seja mesmo a publicidade de página inteira que muitas vezes pelo seu grafismo “pitoresco” mais parece um sarcasmo da irreverente revista do que algo para levar a sério. Mas claro, estes projectos têm custos.

No entanto, e apesar de tudo que foi dito, tenho com a “Periférica” uma relação de amor/ódio.
É uma revista do interior que sistematicamente pisca o olho à urbanidade cúmplice, vejam-se as acções de lançamento realizadas em lugares da moda, na capital. Até aqui, tudo bem. Pior é quando por vezes os textos roçam a erudição hermética e afectada, a começar nos editoriais, que são escritos por quem realmente não acredita no interior. Francamente não sei como me relacionar com este facto, já que também eu próprio apesar de ser e viver no interior, tenho sob muitos aspectos uma grande dificuldade em me relacionar com ele. Mas que não gosto nada, lá isso não gosto.
É uma revista do interior, que no fundo o despreza e o minimiza e onde o ser-se construtivo ou até didáctico não tem espaço.
Francamente penso que esta revista, do interior, só tem mesmo o nome da aldeia onde é produzida (Vilarelho – Vila Pouca de Aguiar) e a ficha técnica, já que o seu público privilegiado e mesmo assim minoritário, é urbano, não havendo nela nada, ou quase nada, que reflicta a interioridade, à excepção, claro, da publicidade!

16 março 2005

Sideways



Não me parecendo a mim um exercício cinematográfico excepcional, "soube-me muito bem" ver esta história de amizade e inquietação existêncial. O vinho surge neste filme como a perfeita metáfora da "coisa viva" e inquieta. Um dos personagens diz, mais ou menos desta forma: "dentro de uma garrafa está um produto vivo. Um vinho nunca é igual em dois momentos diferentes". Tal como os estados de "alma" humanos.
Talvez por viver numa região que produz vinho e de partilhar com os personagens deste filme o prazer de o beber, talvez por existirem aspectos de identificação pessoal com um dos personagens, saí do cinema com um sorriso cumplice e uma grande vontade de beber um copo de vinho de forma ainda mais atenta que o costume.

11 março 2005

11.03.2004.MADRID




Acordamos no dia 11 de Março de 2004, faz hoje um ano, convictos da vulnerabilidade da existência e limitações humanas. Acordamos com um "soco" no estômago e sustivemos por um segundo a respiração para logo a seguir entendermos a inevitabilidade de já nada podermos fazer. Quisemos ir para a rua gritar, mas não o fizemos. Ficamos revoltados, mas não fizemos mais que ficar chocados com a catadupa de imagens que nos entravam pelos olhos e pela "alma" a todos os segundos, num continuum constrangedor de estarmos parados. Charles Darwin disse um dia: "Nenhum facto na longa história do mundo é tão chocante como os amplos e repetidos extermínios dos seus habitantes". Esta frase lapidar é verdade a cada instante, mas neste dia foi mais verdade, porque a morte estava mais perto, muito mais perto.

06 março 2005

paralelo 36


http://www.zemos98.org/festivales/zemos987/prezemos/vie101204.htm
[largometraje-documental]
"Paralelo 36, de José Luis Tirado - Zap Producciones 2003-2004 - 70 min.
Documento y ficción en la frontera sur de Europa
El Paralelo 36 es una línea imaginaria en un mapa, a la vez que un espacio real en el que transcurre el viaje de la emigración clandestina en el Estrecho de Gibraltar. En Paralelo 36 los protagonistas son los emigrantes: documento y ficción, gestos y palabras, sueños y deseos. Paralelo 36 es un relato, un cruce de micronarrativas que cartografían la frontera sur de Europa."

No mínimo muito curiosa esta coincidência.

05 março 2005

chocapic

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Os ovos e o bacon eram considerados na sociedade americana de finais do século XIX, alimentos afrodisíacos conducentes à masturbação. Para refrear os hábitos "perversos" dos "bons americanos" o senhor Will Keith Kellogg criou os agora muito famosos Kellogg's. No sítio da empresa refere-se que o senhor Kellogg acreditava que a "dieta" era um factor muito importante para um estilo de vida saudável e que o pequeno almoço era a refeição mais importante do dia. Será que alguém acredita nesta "dieta"?

Eu por mim prefiro Chocapic.